
Vista aérea da Unicamp e Ribeirão das Pedras no Real Parque: contraste entre centro acadêmico e esgoto a céu aberto
As conflitantes realidades dos condomínios de luxos e as submoradias.
Barão Geraldo é um dos quatro distritos da cidade de Campinas. Considerado privilegiado por possuir duas universidades, um pólo tecnológico reconhecido nacionalmente, além de uma grande variedade de indústrias e empresas prestadoras de serviços, é ainda lembrado como um centro de concentração de intelectuais e pessoas de cultura elevada. Porém, esta “fama” de Barão Geraldo não condiz totalmente com a realidade, já que grande parte da população do distrito não se “enquadra” na imagem amplamente divulgada, seja pela mídia, seja pelos moradores mais abastados.
Segundo Márcia Beatriz Muller, 53, enfermeira e moradora do Jardim Independência há 12 anos, essa “fama” é totalmente desatualizada, já que “a grande maioria da população não é universitária, nem intelectual e nem tão culta”. O que se vê na realidade é uma grande desigualdade social, com a maior parte dos moradores universitários e de renda elevada concentrados principalmente nas “áreas nobres”, como os bairros Cidade Universitária, Parque das Universidades, Centro, Novo Barão Geraldo, Tijuco das Telhas e os diversos condomínios de luxo, como Barão do Café e Rio das Pedras entre outros, em contraponto a bairros como Real Parque, Village Campinas, Vila Holândia e Piracambaia, que sofrem ainda hoje com problemas como submoradias, falta de asfalto e saneamento básico, falta de transporte coletivo e difícil acesso aos órgãos públicos e serviços de saúde.
De acordo com ela, é essa maioria “que paga o preço da fama, com altos preços de aluguel, alimentação e outros problemas que esse pólo causa”. É essa também a opinião de Antonia Agnelo Inácio, 35, moradora do bairro Village Campinas há 31 anos. ”Há em Barão favelas,submoradias, exploração de menores, dependentes químicos e outros descasos” que não correspondem à imagem de distrito economicamente privilegiado. De acordo com outra moradora antiga de Barão, Elizabeth Ribeiro Andreothi, 48, que vive no distrito há 31 anos, essa imagem é negativa para a população, “pois todos acham que o distrito é rico e não necessita de ações e investimentos da prefeitura nas áreas de saúde e habitação. Com isso, outros bairros são sempre priorizados e Barão perde muito em melhorias”.
De acordo com ela, é essa maioria “que paga o preço da fama, com altos preços de aluguel, alimentação e outros problemas que esse pólo causa”. É essa também a opinião de Antonia Agnelo Inácio, 35, moradora do bairro Village Campinas há 31 anos. ”Há em Barão favelas,submoradias, exploração de menores, dependentes químicos e outros descasos” que não correspondem à imagem de distrito economicamente privilegiado. De acordo com outra moradora antiga de Barão, Elizabeth Ribeiro Andreothi, 48, que vive no distrito há 31 anos, essa imagem é negativa para a população, “pois todos acham que o distrito é rico e não necessita de ações e investimentos da prefeitura nas áreas de saúde e habitação. Com isso, outros bairros são sempre priorizados e Barão perde muito em melhorias”.
Os jovens que nasceram no distrito também discordam da falsa imagem de “economicamente privilegiado”. Segundo o estudante universitário Diego Rafael de Barros, 20, “há de um lado os condomínios de luxo, do outro favelas e bairros pobres”. Esse contraste citado por ele pode ser observado entre as belas casas e mansões dos bairros e condomínios nobres e as condições de moradias encontradas nos bairros mais afastados do centro. São casas à beira de córrego com esgoto a céu aberto, como no bairro Real Parque; ou casas pequenas, de 2 ou 3 cômodos abrigando famílias numerosas,como na Vila Holândia e Piracambaia, ou ainda moradias “improvisadas”, espaços antes utilizados para outros fins.
É esse o caso de Matilde Jesus dos Santos, que mora com o marido, dois filhos, a mãe e mais 4 irmãos em uma das seis antigas baias do Haras Passatempo, no bairro Guará.Segundo ela, enquanto o haras estava em funcionamento, os cavalos do centro hípico eram guardados nestas baias.Com o fechamento do local, o dono transformou-as em habitações, cobrando um aluguel de R$200,00 mensais.Sua casa é um barracão, sem divisões de cômodos e com um pequeno banheiro.Possui uma única janela e a iluminação e ventilação não é eficiente.Analfabeta, Matilde não sabe nem ao menos dizer a própria idade, nem o tempo que mora nesta “casa”.Não trabalha, não sabe dizer qual a renda mensal da família e afirma nunca ter recebido ajuda de órgãos públicos ou mesmo ONGs.Diz que nunca sai de casa, a não ser para ir ao Centro de saúde, onde faz acompanhamento do pré-natal e dos filhos mais novos.Diz não conhecer bem Barão Geraldo e não sabe responder o que há de melhor e pior no distrito. Além de Matilde, outras famílias vivem em situações semelhantes nos bairros Guará e Village Campinas.
É esse o caso de Matilde Jesus dos Santos, que mora com o marido, dois filhos, a mãe e mais 4 irmãos em uma das seis antigas baias do Haras Passatempo, no bairro Guará.Segundo ela, enquanto o haras estava em funcionamento, os cavalos do centro hípico eram guardados nestas baias.Com o fechamento do local, o dono transformou-as em habitações, cobrando um aluguel de R$200,00 mensais.Sua casa é um barracão, sem divisões de cômodos e com um pequeno banheiro.Possui uma única janela e a iluminação e ventilação não é eficiente.Analfabeta, Matilde não sabe nem ao menos dizer a própria idade, nem o tempo que mora nesta “casa”.Não trabalha, não sabe dizer qual a renda mensal da família e afirma nunca ter recebido ajuda de órgãos públicos ou mesmo ONGs.Diz que nunca sai de casa, a não ser para ir ao Centro de saúde, onde faz acompanhamento do pré-natal e dos filhos mais novos.Diz não conhecer bem Barão Geraldo e não sabe responder o que há de melhor e pior no distrito. Além de Matilde, outras famílias vivem em situações semelhantes nos bairros Guará e Village Campinas.
Alem da situação econômica, a situação cultural também não condiz com a realidade. A grande maioria dos moradores fixos de Barão Geraldo não faz parte da chamada “elite intelectual”, composta por uma pequena parcela da população, formada pelos professores e alunos da Unicamp e Puccamp. Muitos jovens e adultos nem chegam a concluir o ensino médio. Na família da agente de saúde Kelly Fernanda Carvalho, 26, por exemplo, a maioria dos jovens com idade entre 14 e 28 anos parou de estudar na 8ª série.Para ela, “os jovens de Barão têm que concorrer com estudantes do Brasil inteiro que sempre estudaram em escolas particulares e que de certa forma nunca precisaram trabalhar”.”No colégio público, o ensino é deficiente e o jovem não consegue ter acesso à Unicamp”, afirma Diego.Ou seja, morando tão perto da universidade, os jovens de Barão precisam sair do distrito para cursarem universidades particulares em outros bairros de Campinas.
Por Ana Paula Fontana
Imagens: Foto Aérea da Unicamp: Antoninho Perri – Ascon- Unicamp, retirado do site http://www.ic.unicamp.br/sbcars2007/
Ribeirão das Pedras, no Real Parque: Ricardo S. Dagnino, retirado do site http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribeir%C3%A3o_das_Pedras_-_Real_Parque.jpg

Boa tarde Ana Paula.
ResponderExcluirApesar de ver que sua reportagem é bem antiga ( 2009 ) quando digitei um nome no google ( Marcia Beatriz Muller ), colega de estudo no Colégio Culto à Ciência, fui endereçado para seu blog. Como vamos fazer uma reuni~]ao de ex alunos do colégio estamos tentando contatar o maior número possível deles.
Você tem alguma forma de contatar essa Marcia ( pode ser a pessoa que estudou junto conosco ). telefone, endereço, e-mail? Se tiver e não puder repassar eu te passo meus contatos e você repassa a ela. Grato.
Meu nome é Emil ( emil.rizzo@gmail.com)