terça-feira, 14 de julho de 2009

Ausência por motivo de TCC


Pessoas, faz dias que não escrevo... Apesar de continuar lendo as notícias dos principais portais de informação diariamente, como sempre fiz, não me sobra muito tempo para escrever... Apesar de julho ser mês de férias, está sendo a maior correria... Estou trabalhando bastante e a noite, de férias da faculdade, estou tentando retomar alguns projetos que deixei parado... Estou tentando, mas não está muito fácil não...rs... Claro que, quando voltar as aulas, eles ficarão parados de novo, afinal, segundo semestre, último de faculdade, a correria recomeça (?rs), as pressões do TCC aumentam, e o desespero também... Mas tdo bem, logo que sobrar um tempinho volto a escrever...

Quero ver se consigo aproveitar estes dias que voltei à me dedicar ao Prex (Projeto Experimental de Jornalismo, nome bonito para substituir o TCC) e escrevo uma matéria bacana sobre tudo que aconteceu até o momento... Se eu fosse escrever aqui, o post sairia grande... Entrevistas com os Angolanos, Palestino, Senegalesa, autoridades da Cáritas e do ACNUR... gente, mta coisa interessante... estou aprendendo mto com esse projeto... Estou super animada...

Vou escrever um texto legal e depois posto aqui...

Até lá, fica assim então..rs...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A não-obrigatoriedade do diploma de Jornalismo


No dia 17 de junho, Ministros do Superior Tribunal Federal derrubaram a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. A princípio, a notícia me caiu como uma bomba, deixando-me ao mesmo tempo indignada e reflexiva. Li várias opiniões a respeito e até postei o texto de meu colega de sala e futuramente de profissão, Marcelo Maropo.
Ao mesmo tempo, não conseguia formular a minha própria opinião. Hoje, tentarei fazer isso. Ou, talvez, refletir sobre os argumentos prós e contra a obrigatoriedade do diploma.

Bem, os ministros e pessoas que defendem a decisão relataram que a obrigatoriedade impedia a liberdade de expressão, que o Jornalismo é uma profissão “essencialmente intelectual,que exige domínio da linguagem,vastos conhecimentos humanos” e que qualquer pessoa com “pendor para a escrita, para a informação” poderia exercer a profissão. Além disso, a falta do diploma de Jornalismo não colocaria em risco a “coletividade”.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), o Sindicato das empresas de Rádio e Televisão de São Paulo (Sertesp) e empresas de comunicação, como a “toda-poderosa” Rede Globo apoiaram a decisão. Já a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), assim como muitos jornalistas diplomados ou não e conhecidos, manifestaram-se contra. Protestos foram realizados em várias partes do país e opiniões a respeito se multiplicaram na internet.

Dentre outros argumentos, estes atestam que a medida foi pedida pelos donos de rádio e televisão para poderem limitar a contratação de jornalistas diplomados, o que acarretaria no pagamento de salários menores a quem não tiver o diploma, bem como a fácil manipulação destes “profissionais”, de acordo com os interesses da própria empresa. A Fenaj também coloca que em nenhum momento o diploma de jornalismo limita à liberdade de expressão. Na verdade, ela é limitada pelos espaços disponíveis nos meios de comunicação (tempo, laudas, entre outros), pelas ideologias e interesses destes mesmos meios e pela dificuldade de acesso de toda a população a eles.

Bem, este foi apenas um resumo dos vários argumentos expostos a favor e contra a decisão do STF. Eu diria, que seriam os argumentos principais de ambos os lados. Agora vou tentar expressar minha opinião a respeito.

Em primeiro lugar, discordo do Ministro Gilmar Mendes quando ele diz que “os jornalistas se dedicam ao exercício pleno da liberdade de expressão”. Jornalismo é muito mais do que simplesmente expressar uma opinião a respeito de um fato. Isso é fácil, realmente qualquer pessoa pode fazê-lo, desde que consiga seu espaço, o que é muito difícil nos grandes meios de comunicação, uma vez que a decisão sobre o que vai ser falado segue a “linha editorial” do veículo. Importante lembrar que antes de qualquer coisa, os veículos de comunicação são empresas, e como tais, também têm interesses e ideologias. Esta história de imparcialidade, principalmente dos meios, é mito!

Quando um jornalista “cobre” um fato, ele não está apenas expressando sua opinião a respeito, mas tentando recontar como aquele fato aconteceu, da forma mais próxima possível. Digo isso porque não é possível recontar exatamente, a não ser que ele tenha sido testemunha ocular do ocorrido. Do contrário, é preciso ouvir todas as fontes possíveis e montar um grande quebra-cabeça que chegue o mais próximo da realidade. Claro que a tão falada “imparcialidade jornalística” é também um mito, afinal, a bagagem do repórter conta bastante, mas as informações que ele colhe e como repassá-las depende também de seu trabalho de apuração.

Em segundo lugar, acredito que a profissão de Jornalista não seja o exercício pleno da liberdade expressão. Como falei anteriormente, antes de qualquer coisa, os veículos de comunicação são empresas, e como tais, têm seus interesses e objetivos. E todos os profissionais que delas façam parte, devem segui-los. Não vou generalizar, afinal, existem empresas jornalísticas que se preocupam sim com a neutralidade e qualidade das informações divulgadas. Mas também existem aquelas empresas que, sabidamente, manipulam informações com objetivo de manipular também a opinião pública. E, o jornalista que quiser trabalhar em tais empresas, ainda que subjetivamente, sabe que deve se adequar a elas, mesmo que tenha opiniões divergentes.Do contrário, estará na rua.
Sendo assim, esta história de “liberdade de expressão” não é exatamente como todos defendem e acreditam.

Sobre a obrigatoriedade ou não do diploma, fico me perguntando o que mudaria. O diploma é apenas um pedaço de papel. O importante é a formação que vem antes dele. Essa sim deve ser questionada se é importante ou não.

Concordo com o Marcelo que para ser Jornalista é preciso dom. Não basta “apenas” escrever bem, ser curioso e querer expressar sua opinião a respeito das coisas e fatos. Concordo também que a prática da profissão é bem diferente do que vivenciamos na faculdade. Realmente acho que, em um ano e meio, já aprendemos todas as técnicas jornalísticas necessárias para exercê-la. Concordo ainda que os valores éticos e morais,essenciais para a profissão,não são aprendidos na universidade, mas sim lapidados ao longo da vida.

Entretanto, acredito que a universidade é o espaço para que estes valores sejam trabalhados e reforçados. É o espaço para o estudante entrar em contato com profissionais da área, trocar experiências, debater e analisar casos de “pecados” cometidos pela mídia e aprender, para que não cometa os mesmos erros. É o espaço também para ele mostrar os seus trabalhos, a sua própria capacidade, ainda que limitada, pois só a pratica diária poderá aperfeiçoá-la.

Fico agora a relembrar casos que foram amplamente debatidos na minha sala de aula, casos que eu mesma muito refleti a respeito, como o da Escola Base, de 1994, o “show midiático” altamente explorado da morte da menina Isabella, bem como a morte de Elloá, em que, segundo muitos, a mídia teve papel decisivo.

Muitos dos jornalistas que cobriram todos estes casos eram e são diplomados. Freqüentaram universidades e possuem registro profissional. Ainda assim, cometerem erros que atingiram diretamente a vida de muitas pessoas. Voltar atrás nestes erros é impossível, mas, para muitos estudantes de jornalismo como eu, esses casos servem de exemplo de mau-jornalismo, exemplos que nunca devem ser seguidos. Aí me pergunto e gostaria de perguntar também, se fosse possível, ao Ministro Gilmar Mendes: será que o jornalismo não pode trazer realmente riscos à coletividade?Casos mal apurados como da Escola Base ou a superexposição de casos como de Isabella e Elloá não representam mesmo risco à vida das pessoas? Não é o diploma quem vai garantir o bom trabalho profissional, mas debater casos como estes e incentivar o exercício com ética e respeito ajuda e muito!

Em um primeiro momento, fiquei me questionando também como ficaria o mercado de trabalho após esta determinação do STF. Imaginei muitas pessoas sem a formação acadêmica tentando trabalhar numa empresa jornalística. A principio, fiquei assustada com a possibilidade da concorrência. Depois, pensei: o mercado de trabalho para qualquer profissão hoje em dia é bastante concorrido. O que faz uma pessoa, em detrimento de outras, ganhar a vaga tão desejada? Os diferenciais. Não seria então, na nossa área, o diploma um diferencial? Já que ele não é mais obrigatório, qual seria um diferencial na hora da concorrência? Quem tem o diploma, estudou quatro anos e realizou atividades acadêmicas, ou quem não colocou os pés na universidade? Tudo bem que especialistas de outras áreas podem tentar uma vaga também, mas, o que é melhor? Um advogado que não é jornalista ou um jornalista especializado em direito? Não desmerecendo profissão alguma, mas não basta ter amplo conhecimento,como no exemplo dos advogados, que conhecem as leis e seus termos técnicos. É preciso saber passar essas informações ao público de uma maneira que ele compreenda, clara e objetiva. E só saber escrever bem, não é suficiente. O mesmo serve, por exemplo, para os cientistas, que adoram falar difícil, mas muitas vezes são incompreendidos pelo público. De qualquer forma, acredito que especialização constante é uma necessidade para qualquer profissão, inclusive para o Jornalista. Quem não se especializa, fica para trás, não tem diferencial. E até para outros profissionais que querem se tornar “jornalistas”, a especialização se faz necessária.

Em um dos textos que li, não me recordo de quem no momento, o autor dizia que agora só fará faculdade de jornalismo quem quer realmente ser jornalista. Concordo com ele. Na minha própria faculdade, e também no processo seletivo que prestei certa vez, observei muitas garotas, principalmente, que escolhem a profissão pelo glamour, pelo status que vem com ela. Muitos acham que ser jornalista é aparecer na teve e ter visibilidade. Muitos nem sabem bem o que é ser um jornalista de verdade. São pessoas que não estão preocupadas com a qualidade das informações que serão veiculadas; o importante é aparecer.

Isso sempre me deixou muito triste. Pessoas que não sabem valorizar esta profissão tão linda e tão importante. Agora, com o fim da obrigatoriedade do diploma, acredito que essas pessoas que se iludem fácil vão desistir de cursar uma faculdade. Talvez consigam realizar seus desejos de outras formas; talvez tentem aparecer na teve de outras maneiras. Pode ser também que conquistem seus espaços nestes programas que se dizem “jornalísticos”, mas que no fundo, só visam confundir, manipular ou desinformar o público.

Para os amantes da profissão, a universidade será uma forma de adquirir conhecimentos, aprendizado, crescimento pessoal e profissional. Será mais um degrau numa carreira cheia de altos e baixos.

Eu sou a favor da obrigatoriedade do diploma, afinal, assim terei mais chances com o meu nas mãos. Mas estou a refletir até onde essa decisão do STF vai interferir na luta pelos meus sonhos. O diploma para mim não é apenas um pedaço de papel. Não cursei os quatro anos de formação apenas porque era obrigatório. Para mim, seguir esta carreira que escolhi é um sonho de adolescência, que cresceu e floresceu conforme conheci cada vez mais o prazer de ser jornalista. Essa é a profissão que quero seguir. Com diploma ou não, vou fazer o melhor que puder para me estabelecer, construir uma carreira sólida e de sucesso, realizar os meus desejos e ter prazer naquilo que faço. Mesmo que o Supremo não volte atrás, e a não obrigatoriedade continue, mesmo que a concorrência seja grande, mesmo que as dificuldades aumentem, não vou desistir dos meus sonhos e objetivos.

Acho que esta decisão é mais uma prova de que a profissão de Jornalista nunca foi valorizada e respeitada como deveria. Talvez eu esteja parecendo conformada. Na verdade, estou, por um lado, também indignada. Mas, até que ponto, mais uma vez questiono, isso vai influenciar na realização dos meus sonhos? Pelos meus conhecimentos também adquiridos ao longo da universidade, aprendi que o exercício do jornalismo nunca foi fácil. Jornalistas sofrem e sempre sofreram com a censura, repressões, perseguições, torturas, processos. E nem por isso deixaram de ser jornalistas. Esse é mais um golpe que a profissão sofre. Mas nem por isso deixará de existir. E de ser seguida por aqueles que realmente acreditam no seu real valor e importância. Ainda que existam aqueles que o Marcelo chama de “pseudojornalistas”; ainda que existam aqueles que querem manipular os profissionais; e pior, aqueles que querem neutralizar a importância da profissão diante da opinião publica...

Por Ana Paula Fontana
(no próximo post, esclareço o que é ser, na minha opinião, jornalista de verdade.)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O DOM GRATUITO DO JORNALISMO


"O fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista chegou até a mim depois de um cansativo dia. Pela manhã fui para o trabalho, e não na área. À tarde fui até um evento para captar imagens para a realização do meu trabalho de conclusão de curso. E logo à noite fui até a faculdade para entregar os comprovantes de atividades complementares do curso.
Confesso que foi revoltante ver aquela notícia no Jornal Nacional. O jornal ainda nem tinha acabado quando me vi em um dia nublado, com onze anos de idade, na quinta série do ensino fundamental. Lá estava eu na escola Estadual Professor Benevenuto Torres. Era hora do intervalo. Eu e meus colegas, a Gislaine, o Leandro e a Zenaide estávamos sentados junto à cerca no fundo da escola. Foi quando a Gislaine me perguntou qual faculdade eu iria cursar. Qual profissão eu iria seguir. Não pensei duas vezes. A resposta sempre esteve pronta. Embora minha mãe sempre quisesse que eu fosse um médico eu não hesitei em responder com a boca cheia JOR-NA-LIS-MO. E na verdade eu não consigo nem me lembrar de onde veio esta decisão por jornalismo. Acho que desde muito pequeno. Mas já naquele momento esta era a profissão que eu me formaria. Sempre digo, quando me perguntam, que eu não escolhi a profissão, mas foi ela que me escolheu. Pois nunca tive a oportunidade de pensar qual profissão eu queria fazer. Sempre foi jornalismo e ponto final.
Não demorou muito o Jornal Nacional acabou. Jantei. Depois de algum tempo fui para o banho e cama. Não dormi logo, demorei muito para pegar no sono. Fiquei inquieto. Comecei a meditar sobre a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal e o descaso com que trataram a minha profissão. Comecei a me questionar. Ora, eu sabia que não era uma estúpida decisão tomada por meia dúzia de homens insensatos que me faria perder a paixão pelo jornalismo.
Recordei-me do primeiro dia de aula com o professor Roni. A aula foi expositiva. O professor Roni começou a falar do curso, da profissão, falou o que é ser jornalista, e contou um pouco das suas experiências profissionais. Naquele momento senti o jornalismo gritar dentro de mim e dizer “ei, estou aqui”.
Percebi que o jornalismo era algo muito além do que uma profissão. E é bem isto. O jornalismo é algo que vai além de um diploma, é algo que vai além de técnicas e muito além da cadeira de uma universidade. Hoje consigo ver que esta profissão é um talento que independe da vontade do individuo. A pessoa, raras pessoas, nasce e é agraciado com este dom.
E o diploma? Ah o diploma é apenas uma forma com que os profissionais da categoria encontraram de ajudar a regularizar a profissão. Foi uma forma de ajudar a segurar um mercado para estes profissionais.
Ora, jornalismo não é somente saber escrever. Escrever um acadêmico em letras tem condições incontestáveis de fazer muito bem, e até mesmo melhor. Jornalismo não é saber falar bem e com boa dicção, isto um fonoaudiólogo faz e ainda ensina ao jornalista. Ser jornalista não é ter boa postura frente às câmeras de TV, neste quesito os atores dão aulas. Ser jornalista não é entender as regas do futebol, afinal cada brasileiro se senti um pouco técnico deste esporte. Ser jornalista não é entender de política e de economia, para cada uma destas áreas existe profissionais altamente capacitados para falar, contextualizar e analisar. Ser jornalista não é saber dominar um microfone quer seja no rádio ou na televisão, os locutores e animadores de programas o fazem muito bem.
O jornalismo é uma inquietude que aguça dentro do ser do jornalista. É uma busca constante. É a tentativa de representar a sociedade. É a tentativa de saciar os anseios de um povo. É a procura pela resposta que falta. É o desejo de mostrar que há uma saída. É a insatisfação com o que parece que está perfeito, mas sabe que no fundo alguma coisa pode ser mudada. Não está em apenas dar uma informação, mas espera-se que aquela informação possa traçar novas diretrizes, possa criar novos rumos, abrir novas visões. E acima de tudo é o compromisso com a verdade. O jornalista é um ser inquieto e insatisfeito. Nada para ele está bom. Sempre acha que pode conseguir uma melhor resposta. A melhor matéria da vida do jornalista sempre é a que ele ainda não fez.
O jornalismo a meu ver é tão antigo quanto à prática da prostituição. Ora, o profeta Moisés exercia uma função de jornalista. Ele consultava a Fonte, Deus, e informava a sociedade, o povo cativo no Egito. E sua missão era conduzir este povo para uma sociedade melhor, a saber, a terra de Canaã.
Há muitos jornalistas formados, experientes, e renomados no mercado. Porém sem o dom, sem o talento nato, estes são os profissionais covardes que ocupam as redações e se tornam escravos das linhas editoriais dos respectivos veículos para os quais trabalham. Tornam-se escravos do dead line, servem ao capitalismo, servem ao interesse dos donos dos jornais. São moldados pelo lead. Mas não são capazes de impor os critérios da profissão, não lançam mão da premissa da transparência e da verdade. São o que chamo de pseudo-jornalista. Profissionais com forma, mas sem conteúdo, sem talento, sem dom. Os pseudo-jornalistas tem surgido e se multiplicado. Os jornalistas com sede da verdade, da liberdade e da utópica vontade de mudar o mundo são sufocados. Quando os jornalistas natos chegam às redações, algum profissional sem amor a profissão já passou por lá antes e deixou uma marca, a marca do “preencha as lacunas e ponto”. E são sufocados. Se o dom falar mais alto dentro de si, coitado, não vai muitas matérias e a demissão é certa. Afinal o mercado é competitivo. Existe um monte de jornalistinhas mecânicos por ai querendo uma vaga para preencher as lacunas.
O que falta é coragem para os jornalistas, os jornalistas de verdade. Falta traçar critérios para assegurar a liberdade para exercer a profissão como ela merece ser exercida. Pois responder as perguntas: O que? Qual? Quando? Por quê? Como? Onde? Isto é fácil. Isto qualquer cozinheiro é capaz de fazer. O que a sociedade quer e merece são profissionais que possam reportar os fatos com a inquietude característica da essência do verdadeiro jornalismo.
Não que não existam profissionais com o jornalismo nato, mas estão por ai, perdidos, assim como sugere Ciro Marcondes Filho em a Saga dos Cães Perdidos. O autor coloca que a atividade dos jornalistas tem se desintegrado por conta de forças extraordinárias e hostis. Marcondes Filho diz que o grupo desintegrou-se de forma misteriosa, foi uma desintegração em praesentia, ou seja, se desintegra permanecendo. Que podemos entender com isto? Não me sobra outra alternativa a não ser bater na tecla dos psudos-jornalistas que sufocam os profissionais que tem o jornalismo como algo excelente dentro de si. Mas são tímidos e covardes, ficam no ostracismo.
Somos uma geração de jornalistas sem heróis. Sem falar na soberba intelectual que faz parte da cultura dos falsos profissionais desta profissão. Só porque sabem dominar bem as técnicas do burocrático lead, e dominam profundamente algum assunto, se sentem as pessoas mais sábias do mundo. Bando de hipócritas. Não conseguem enxergar que um cozinheiro é capaz de debater os mesmo temas que eles debatem.
Caríssimos jornalistas, digo aos verdadeiros, fica aqui o convite para reescrevermos nossa nova história. Que tal começarmos pelo lead? Ora, quem somos? O que temos feito para nós mesmo? Quando foi que fracassamos? Quando perdemos as forças? Porque não façamos diferente agora? Onde estão os cães perdidos? Como podemos mostrar que estes cães perdidos ainda latem e mordem?


* Marcelo Maropo é aspirante a jornalista"
Eu assino embaixo. Ana Paula Fontana

O que é ser Jornalista?

Quando digo às pessoas que sou estudante de Jornalismo, todas têm uma reação parecida: acham legal, ligam a profissão à televisão, Fátima Bernardes e William Bonner... Mas jornalismo não é só isso... Quem está de fora, ou quem entra na profissão só pelo glamour, para "aparecer na tv", não sabe verdadeiramente o quanto esta profissão é apaixonante.

Semana passada, fomos surpreendidos pela notícia que o Supremo Tribunal Federal revogou a exigência do diploma para exercer a profissão. Ou seja, para ser Jornalista hoje não é mais necessário o diploma, não é mais necessário passar quatro anos nos bancos de uma universidade. Desde a decisão do Supremo, várias notícias começaram a proliferar, mostrando quem está a favor e contra a decisão. Inclusive a toda-poderosa Rede Globo, que em nota se diz a favor da não-exigência do diploma!(não merece nem comentários!).

No mesmo dia que recebi a notícia, pensei em postar algo em meu blog, mas, ainda chocada e revoltada com o fato, não consegui escrever nada a até o momento. Hoje, porém, recebi um texto de um colega de sala e futuro colega de profissão. Fiquei sem palavras diante das palavras dele. Acho que seu texto não poderia descrever melhor o que é ser um Jornalista de verdade...

Assim, enquanto não consigo redigir minha própria indignação e revolta do fato, assino embaixo das palavras do futuro Grande Jornalista Marcelo Maropo.

Como o texto dele é, de certa forma, longo, vou colocar em uma nova postagem, para não cansar os olhos de ninguém. Mas, a quem se interessar, incentivo a ler até o final, pois é bastante interessante, até o último ponto.

Boa leitura a todos.

Ana Paula Fontana

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Parada Gay e Homofobia...

Adolescente que foi espancado após a Parada Gay 2009 (Foto: Paulo Toledo Piza/retirada do Portal G1)

Neste final de semana, mais precisamente domingo, 14 de junho, aconteceu a Parada Gay 2009. Mais de 3,4 milhões de pessoas se reuniram para celebrar a diversidade e contra a homofobia.Mas o que era festa, acabou em confusão.

Como faço todos os dias, estava a ler as principais notícias nos portais de informação quando me deparei com as seguintes manchetes: “Explosão de bomba caseira deixa feridos no Centro de SP, diz polícia”, “Rapaz é agredido por grupo após participar da Parada Gay”. (portal G1,http://www.g1.com.br/) e “Bomba caseira explode e fere 21 após a Parada Gay em São Paulo” (site http://www.oglobo.com/ ).

Todas elas falam de pessoas que foram agredidas ou feridas após a parada. Em um dos casos, um adolescente de 17 anos chegou a ter traumatismo craniano e ficar em coma após ser agredido por um grupo de homens. Em outro caso, um rapaz foi agredido com skates e teve seus pertences roubados.A bomba que feriu grande número de pessoas foi jogada do alto de um prédio e deixou marcas de sangue no chão próximo de onde explodiu.

Bem, vamos às minhas considerações (pessoais) a respeito:

As pessoas são diferentes. A diversidade não ocorre apenas na questão da opção sexual, mas sim em tudo o que se refere ao ser humano. Pessoas têm opção sexual, religião, gostos, opiniões, enfim, uma série de questões que as tornam diferentes umas das outras. O que garante uma boa convivência? RESPEITO.

Eu posso até não aceitar, não gostar, não entender as escolhas das outras pessoas, mas devo RESPEITAR. “Respeito é bom e todo mundo gosta”, já dizia a máxima. E essas diferenças não são justificativas para ações de violência e exclusão. O que torna um skatista ou skinhead melhor do que um homossexual, travesti ou transexual? Qual a diferença que pode existir entre eles? Um skinhead é superior ao homossexual? Por quê? Qual a justificativa para isso?

Sei que várias pessoas, preconceituosas, claro, podem me dar várias. Mas EU ACREDITO que todos somos iguais. Somos seres humanos, provenientes da mesma espécie, da mesma origem e com o mesmo fim. Diferentes somos inclusive fisicamente. Brancos, negros, orientais, loiros, morenos, ruivos, altos, baixos, gordos, magros, olhos claros, olhos escuros. Há uma série de fatores que nos tornam diferentes. Isso justifica o preconceito e a violência?

Eu mesma não sou muito “fã” de loiros de olhos claros, como a maioria das mulheres. Acho que eles não “fazem meu tipo”. Posso então sair por aí matando todos eles? Claro que não! Sou católica com muito orgulho. Posso promover atos de violência contra pessoas de outras religiões e crenças? De maneira nenhuma! Posso até não concordar com o modo como elas nascem e crescem, pregam a fé em Deus, mas devo respeitar todas elas, assim como respeitam (ou não) a minha crença.

É incrível pensar que vivemos em um país que se diz democrático, livre de preconceito e discriminação e ainda nos depararmos com notícias como estas. Mais incrível ainda acreditar que existam pessoas que se julguem superior a outras. Notícias como estas me deixam decepcionada com nossa sociedade, pois, mais uma vez escrevo, as pessoas perderam a noção de valores e princípios. RESPEITO é uma palavra que desapareceu do dicionário de grande parte da população. RESPEITAR o outro significa ACEITAR as diferenças, mesmo que EU NÃO CONCORDE com elas. É preciso pensar que eu não sou o único no mundo, na sociedade. Minhas vontades e opiniões não podem simplesmente ser impostas. Também acredito que mesmo que me faltem com respeito, não devo reagir da mesma forma. Superior não é aquele que combate a violência com violência e sim aquele que reage com sabedoria e inteligência. Os Homens que agem com violência contra homossexuais, negros, pobres, enfim, que se acham superiores aos outros, na verdade não o são. Eles ACHAM que são superiores, mas apenas estão se iludindo quanto a isso.Quando dizem “o homem é o único animal racional”, estes não estão aí incluídos. Porque nosso cérebro foi feito para “racionalizar” e eles não sabem o que isso...

Por Ana Paula Fontana
Foto: Paulo Toledo Piza/retirada do Portal G1 www.g1.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Essa não vou nem comentar...

Só para completar o que falei no post anterior, sobre a importância da família.
Segue matéria disponível no portal Cosmo Online.
http://www.cosmoonline.com.br/noticia/29902/2009-06-05/garoto-de-13-anos-fere-abr-mae-a-facada-em-franca.html

Absurdo!!! Crianças recrutadas para o crime!!!

Essa é a imagem que quero ver das crianças: pequenas pessoas boas que sabem dar valor e agradecer tudo o que têm e são.

Não vou me estender muito em apresentações e introdução às notícias que quero comentar hoje, tamanha minha indignação. Só para esclarecer: uma mãe e seu filho de três anos foram seqüestrados enquanto estavam hospedados em um hotel na cidade de Penha, em Santa Catarina. Depois de 30 horas de seqüestro e o pagamento de R$57mil reais de resgate, foram libertados em São Paulo. Após a liberação dos reféns, a polícia descobriu que os envolvidos eram todos de uma mesma família, contando inclusive com a participação de mulheres e de uma das camareiras do hotel.

Considerações:
Primeiro: hoje não existem mais "lugares seguros". Qualquer lugar é lugar para ser assaltado, seqüestrado, morto. Só um adendo: minha faculdade, particular, onde os alunos têm acesso por meio de carteirinha eletrônica e onde visitantes não cadastrados podem ser barrados (se não se identificarem, claro!) foi vítima de assalto. Ou seja, por mais segurança que exista, qualquer lugar é lugar para esse tipo de crime (isso não é uma crítica à minha faculdade e sim à falta de segurança que ocorre em todos os lugares!).

Segundo: infelizmente, não sabemos mais em quem podemos confiar. Até em nossos momentos de lazer, podemos encontrar pessoas que traiam nossa confiança.

Isso tudo por si só já seria motivo suficiente de indignação, afinal, os reféns eram uma mulher e uma criança de apenas três anos. Quem tem coragem de uma barbaridade dessas não tem coração nem caráter. Mas, acreditem, o fato é muito pior.

Após a prisão de alguns dos envolvidos, a polícia encontrou uma gravação em que um homem (ainda foragido) ensinava para o próprio filho de quatro anos e a sobrinha de menos de três como agir em um assalto, dar coronhadas na cabeça da vítima e, ao final, como se fosse a coisa mais simples e banal do mundo, a matá-la.

Fico aqui me perguntando: qual será o futuro destas duas crianças? É isso o que queremos para nossa sociedade? Crianças treinadas desde cedo para roubar, seqüestrar e matar? O que leva uma pessoa a fazer tal abominação? Será que ele, como pai, nunca pensou no futuro de seus filhos? E se fosse seu filho o refém? O que ele faria?

Isso é um absurdo! Não consigo acreditar que existam pessoas assim. Mas isso vem da minha criação,onde os princípios morais e éticos sempre se fizeram presentes. Infelizmente, sei que muitas pessoas e suas famílias não sabem o que é isso. E hoje, mais do que nunca, as pessoas estão perdendo estes princípios.

Trabalho com crianças há quase cinco anos, e sou apaixonada por estas pequenas pessoas. Na minha vaga experiência, afinal, só quem é mãe e pai sabe exatamente o que é criar um filho, vejo que elas são seres puros, que, quando nascem, não conhecem as coisas podres deste mundo. Cabe aos pais decidirem se vão ensinar a elas serem pessoas boas ou más. Cabe a eles decidirem o que querem para seus filhos no futuro. Então, quando vejo casos como estes, fico me perguntando, o que serão delas?

Me entristece demais saber que muitas crianças hoje não têm educação, princípios, valores, são egoístas, esnobes, individualistas, não medem suas atitudes e acabam por prejudicar e maltratar os outros. E a culpa são de pais como estes, que não sabem como educar os filhos. Na verdade, um monstro desse não pode ser chamado de pai. Ensinar desde cedo uma criança a roubar e matar não pode ser uma atitude de alguém que ame. Um pai que ama seus filhos de verdade quer o melhor para eles. Como dizia minha mãe, “Ter filhos é a coisa mais fácil do mundo". Mas criar, educar, não é tão fácil.

Cabe a todos os pais refletirem sobre o que eles desejam para seus filhos. Não apenas na questão material, porque, muitas crianças com as quais convivo, são riquíssimas, tratadas como príncipes e princesas, que possuem e ganham tudo o que querem. Mas isso não basta para torná-las pessoas boas, cidadãs de bem. O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas não compra o caráter. Sem caráter, a consciência pesa e não temos paz interior. Ao mesmo tempo, ser pobre, não é desculpa para roubar e matar.

A família tradicional,com seus princípios e valores, está se desfazendo, se desestruturando. Casos como estes não são fatos isolados, porque afetam toda a sociedade. Isso não é um problema apenas daquelas famílias envolvidas, mas de todos nós. Acabar com a violência não é apenas uma questão de leis, mas sim uma questão social a ser trabalhada. Como? Eu não saberia dizer, mas acredito que a mudança deve acontecer dentro de casa, iniciada pelos pais, ainda que apoiados por especialistas e estudiosos. Se a família não resgatar seu devido valor e função, de nada adianta criar leis mais severas para bandidos como este e tantos outros.

Caráter é algo que construímos, e esta construção começa na infância, através de nossos pais, do que aprendemos com eles. E é isso o que torna as pessoas melhores, assim como a sociedade em que vivemos.

Para quem se interessar, o vídeo com as imagens do caso citado está disponível no site da RBS TV, endereço http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=2&contentID=65103&channel=47 . Já o site Zero Hora, traz todo o acompanhamento do fato, no endereço http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2532704.xml

Por Ana Paula Fontana

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Crimes que abalaram o Brasil...

Nas últimas semanas, crimes chocaram o Brasil. Primeiro:o acidente causado pelo deputado Fernando Carli Filho, em Curitiba/PR , no dia 7 de maio.Segundo: a morte de Gabriela Nunes de Araújo, de oito anos, baleada na cabeça durante um assalto a casa em que morava em Rio Claro, no dia 20 de maio.

No primeiro caso, o deputado Carli Filho, de 26 anos, dirigia bêbado, com a carteira de habilitação suspensa desde o ano passado (por causa de 30 multas e 130pontos), e acima da velocidade permitida, causando a morte de outros dois jovens: Gilmar Yared,26 anos, e Carlos Murilo de Almeida,20 anos.

O acidente, noticiado nos principais veículos de comunicação, teve repercussão nacional. Pessoas do Brasil inteiro se manifestaram, nas páginas das principais revistas, portais de notícias, blogs, e até mesmo nas páginas do orkut. A mãe de Gilmar, Christiane Yared, em entrevista à revista Época (ed. 575, de 27/5/2009) disse que todos os dias pessoas entram em sua página do orkut e telefonam. Segundo ela, “numa igreja em Mato Grosso do Sul, os membros estão em jejum há 12 dias. Pedem por nós”.

No que diz respeito ao segundo caso, a morte de uma criança sempre causa comoção. Mas, em situações como a da menina Gabriela, a indignação é ainda maior. Ela estava em casa com a irmã gêmea e a babá e, após uma tentativa frustrada de assalto, foi atingida por um tiro certeiro e intencional.

Ambos os crimes abriram um debate a respeito da violência que aflige o Brasil hoje. Mais do que isso, sugere uma reflexão a respeito do comportamento violento das pessoas. Meu objetivo aqui não é comentar a respeito de ambos os casos, pois eles já foram noticiados nos principais veículos de comunicação do país. Nem mesmo me ater a estas discussões já em curso por estes veículos.

Pretendo sim, abrir uma discussão sobre outro aspecto. Para isso, talvez deixe de lado a Ana Paula Jornalista e assuma como Ana Paula pessoa.

Quando li a respeito destes dois crimes, fiquei imaginando o que se passaria na cabeça das pessoas envolvidas nestas situações.

Vamos refletir: Fernando Carli Filho é deputado. Logo, como pessoa pública, deveria se comportar de forma exemplar diante dos eleitores que o elegeram. Ao contrário, suas ações são totalmente reprováveis. Sua carteira de motorista estava suspensa há mais de um ano. Isso por causa de 30 multas, sendo 23 por excesso de velocidade. Na noite do acidente, ele estava embriagado e dirigia a 150km por hora. Os dois jovens que morreram, ao contrário, trafegavam a 30km por hora e respeitaram o cruzamento ao qual o deputado não respeitou.

Considerações importantes: em primeiro lugar, Carli Filho não deveria estar dirigindo, pois estava com a carteira suspensa. Segundo, não deveria estar dirigindo, pois estava embriagado. Terceiro, deveria respeitar as leis de trânsito e a preferência em cruzamentos, coisas que não fez.
Então pergunto: o que leva uma pessoa em sã consciência a pegar um carro mesmo sem carteira e dirigir em alta velocidade, causando a morte de pessoas inocentes? Como pode alguém se comportar com irresponsabilidade e imprudência e não ter nenhum peso na consciência? Qual a justificativa para acidentes como esse? “Acidentes acontecem”?

E no caso da morte de Gabriela? O que leva um adolescente de 17 anos a atirar em uma criança, que não esboçou nenhuma reação? Era necessário fazer aquilo? O que justifica aquela atitude?

O que eu quero refletir aqui é que as pessoas, os jovens, em especial, estão agindo por impulsos, sem medir as conseqüências de suas ações, sem pensar no outro, no quanto podem fazer mal a outras pessoas. As pessoas se esquecem dos princípios e valores básicos que deveriam nortear suas ações.

Mas...Será que é só esquecimento? Como eu posso esquecer que minha carteira está vencida, que gosto de beber (e muito!) e ainda assim não parar para pensar que assim, pegando meu carro nestas condições, eu posso provocar um acidente e causar a morte de outras pessoas? Ou então, como posso sequer apontar uma arma para outra pessoa e não pensar no sofrimento que vou causar a esta pessoa e seus familiares?

Será que as pessoas não estão, aos poucos, perdendo os valores éticos e morais? Será que as pessoas não estão deixando de ser pessoas para se tornarem monstros, cruéis e assassinos? E o que será que causa isso?

Várias vezes me peguei questionando e debatendo isso com um grande amigo, a caminho da faculdade. Juntos, ficamos pensando o que está acontecendo com este mundo. Porque aumentam os casos de violência no trânsito, assassinatos, crimes passionais e contra crianças.

Como jornalista, por mais que estude estes casos, não consigo entender o porquê. Talvez profissionais de outras áreas, como cientistas sociais e psicólogos, entre outros, estudem a respeito e saibam dar uma resposta, ainda que incerta.

O que eu acredito é que a sociedade precisa fazer algo para tentar entender o que está mudando, rever valores antigos e impedir que tragédias como estas continuem acontecendo.

Seja por falta de caráter ou qualquer outra coisa, as pessoas precisam começar a rever seus atos e os pais devem investir na educação de seus filhos, para que atitudes como esta não acabem se tornando normais. No fim das contas, normais serão as pessoas violentas e sem caráter, enquanto os anormais serão aqueles que ainda cultivam seus valores e princípios.

Por Ana Paula Fontana

Referência: Matéria “Fernando Carli Filho: trinta multas não bastaram”, disponível no site da Revista Época, http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI73068-15223,00-FERNANDO+CARLI+FILHO+TRINTA+MULTAS+NAO+BASTARAM.html ).

Matéria Menina de 8 anos é baleada em assalto em Rio Claro (SP), disponível no site g1, http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1161787-10406,00-MENINA+DE+ANOS+E+BALEADA+EM+ASSALTO+EM+RIO+CLARO+SP.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

Greve de motoristas e cobradores de Campinas prejudica população

Motoristas e cobradores permanecem em greve em Campinas nesta terça-feira(Foto: Estevam Scuoteguazza/AAN)



O bom de se ter um blog é a possibilidade de opinar a respeito de notícias e assuntos que nos causam algum tipo de reação. Hoje venho mostrar minha indignação com a greve de motoristas e cobradores do transporte público de Campinas.

Acho válida a iniciativa de se lutar por melhores salários e melhores condições de vida, mas essa "luta" deixa de ser válida quando passa a desrespeitar o outro. Já dizia aquela máxima: “os meus direitos terminam quando começam os do outro".

Concordo que os motoristas e cobradores estão no direito deles de pedir aumento salarial e outros benefícios, mas, quem lhes deu o direito de prejudicar outras pessoas por esse motivo?Sim, porque milhares de pessoas (segundo informação da mídia, 600 mil pessoas) ficaram sem ônibus para irem ao trabalho, médico, escola, faculdade, hospitais, entre outros lugares importantes. Quem deu a estes motoristas e cobradores o direito de fazer estas pessoas faltarem ao trabalho? Será que eles vão bancar os descontos na folha salarial que estas pessoas estão correndo o risco de ter? Ou será que depois eles, os motoristas e cobradores,vão pedir aos patrões que entendam as faltas, visto que os empregados não se ausentaram porque quiseram e sim por motivo da greve?Porque a greve é dos motoristas e cobradores mas quem está pagando por ela são os trabalhadores de outras áreas.

Para piorar a situação, li em algumas notícias que ônibus fretados estão sendo apedrejados pelos grevistas. Mais uma pergunta: quem deu o direito a estas pessoas de agir com tal vandalismo? Quem vai pagar pelos prejuízos? Os motoristas e cobradores? Fazer greve, tudo bem, é um direito e ainda dá para entender. Mas vandalismo, é um ato de ignorância.

Na empresa em que trabalho, mais da metade dos funcionários não está conseguindo chegar à empresa. Colocamos a disposição fretados para tentar minimizar os efeitos desta greve, mas ainda assim, é impossível atender toda a demanda. Desta forma, atendo ligações o dia todo de pessoas preocupadas em saber como chegarão ao trabalho, como retornarão e se suas faltas serão descontadas.Fora o trânsito, que está um caos, visto que aqueles que não podem utilizar os ônibus estão sendo obrigados a tirar seus carros das garagens.

Eu diretamente não estou sendo afetada por esta paralisação dos serviços,afinal, não utilizo o transporte público. Mas fico indignada pelas pessoas que estão. Trabalhadores estão querendo cumprir com suas rotinas e estão sendo impossibilitadas por esta greve.

Apoio os motoristas e cobradores na decisão de pedir aumento salarial, mas acredito que antes de tomarem qualquer atitude, deveriam ter pensado nas milhares de vidas que estão prejudicando com isso. Assim questiono: até onde essa greve é válida?Até onde ela se justifica? Justifica prejudicar milhares de pessoas pelo interesse de uma categoria? E se fosse o contrário? E se esses motoristas e cobradores dependessem de algum serviço que estivesse paralisado?

Acredito que este é o grande mal de nossa sociedade hoje: as pessoas tomam decisões sem pensar nos outros, no próximo. Pensam em sim mesmas, em seus interesses e esquecem que as demais também têm necessidades e direitos. Esquecem que o Respeito deve estar acima de tudo, mesmo quando decidimos lutar pelos nossos direitos.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: Foto:Estevam Scuoteguazza/AAN, retirada do Portal Cosmo On Line http://www.cosmo.com.br/noticia/28164/2009-05-12/onibus-continuam-parados-em-campinas-nesta-terca.html

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O papel do Jornalista no âmbito internacional


Refugiados tentam fugir dos bombardeios no Sri Lanka


Falando ainda na guerra civil no Sri Lanka, fico a pensar sobre o papel do jornalista no contexto mundial. As informações que encontramos a respeito da guerra não são oficiais, não podem ser corretamente apuradas, visto que os jornalistas são impedidos de entrar na área de conflito dominada pelos rebeldes. O que se têm são os relatos dos sobreviventes que chegam aos campos de refugiados. Mas até onde estas informações são reais e seguras?Até onde estes refugiados sabem realmente o que se passa e quantas pessoas estão sendo mortas e feridas? Na ânsia de fugir da guerra, muitos nem devem saber onde estão indo; apenas seguem o fluxo da multidão.

É nesse ambiente que se faz necessária a presença dos jornalistas. Eles são (ou pelo menos deveriam ser) os "olhos do mundo", que deveriam contar o que realmente acontece. Mas, contrariando o princípio básico do Jornalismo, a imparcialidade, isso nem sempre acontece.

Na verdade, a imparcialidade jornalística é um mito. Os jornalistas sempre escrevem baseados em suas visões de mundo, muitas vezes influenciados, inclusive, pelas empresas de comunicação em que trabalham. Sim, porque, antes de tudo, os veículos de comunicação também são empresas, e como tais, têm seus interesses e objetivos. E são estes que determinam a linha editorial que vai ser seguida, ainda que subjetivamente, pelos profissionais que nele trabalham.
Voltando ao assunto da guerra, penso que até o momento me baseei em informações que li na rede virtual. Mas, será que todas as informações divulgadas correspondem a verdade? Ou mostram apenas um lado do problema?

Faço esta questão levando em consideração um outro caso de guerra. O conflito que existe há décadas na região da Palestina. A grande mídia (entenda-se grandes redes de tv, jornais, agências internacionais, entre outras) está acostumada a mostrar sempre o lado de Israel,que apenas “revida” os ataques do lado palestino. Israel é colocado como “defensor do mundo contra o terrorismo”. Mas nunca fala-se nos ataques feitos pelos israelenses, quantos civis são mortos e como fica a situação dos sobreviventes.

Esse lado é apresentado na chamada “mídia alternativa”. Essa, por sua vez, acusa Israel de atacar mesmo em períodos de trégua, o cessar-fogo, “assassinar” mulheres, idosos e crianças, atingir alvos civis, como hospitais e escolas.Segundo matérias publicadas em vários veículos diferentes, os representantes da Palestina já teriam aceitado resolver o problema de forma diplomática, enquanto Israel teria optado pela continuação do conflito armado. Enfim, são duas versões conflitantes.

Não vou expressar aqui minha opinião a respeito, apesar de ser ela bem definida. O que eu quero é levantar a seguinte questão: porque os veículos de comunicação são imparciais quando tratam deste assunto? Porque não se coloca numa mesma matéria informações cedidas por ambos os lados? Porque a apuração não é feita corretamente?

Alguns jornalistas que leio com freqüência dizem que a grande mídia acompanha a versão “oficial”, a versão de Israel, porque este é apoiado pelos Estados Unidos. Seria essa uma boa justificativa, afinal, quem ousaria contrariar os “donos do mundo”? A mídia alternativa faz isso, mas o público-alvo desta é bem menor que a grande mídia.

Mas acredito que não seja só isso. A visão de mundo talvez seja mesmo ainda mais forte. Cada um tem seus próprios valores e opiniões. E isto influencia diretamente no trabalho jornalístico. Há profissionais que defendem enfaticamente cada uma destas posições.
Para ilustrar o que quero dizer, vou citar outro exemplo. Sempre gostei muito de ler textos sobre coisas que não entendo. Um dos vários assuntos a que já dediquei horas de leitura foi sobre o Holocausto. Diante de tantos dados, não há como negar a morte de mais de 6 milhões de judeus. Entretanto, há aqueles que tentar negar que ele aconteceu e, pior do que isso, há aqueles que defendem a posição de Hitler! Eu mesma conheci certa vez uma jornalista que defendia tal monstruosidade. E isso não porque ela não tinha acesso a textos que defendiam o outro lado, mas sim porque sua visão de mundo é diferente da grande maioria das pessoas. De nada adiantaria mostrar-lhe dados e provas de que milhões de pessoas morreram. Para ela, Hitler é um gênio que fez a coisa certa.

Seguindo aqui o princípio da imparcialidade, não quero colocar minha opinião a respeito dos fatos, mas abrir um debate a respeito de nossas visões de mundo. Como jornalista, eu preciso saber ouvir e respeitar a visão e opinião de todas as pessoas, mesmo que eu não concorde com elas. A partir de uma apuração bem feita, devo passar para meu público o máximo de informações que eu conseguir e ele sim deve tirar suas próprias conclusões e escolher de que lado quer se posicionar. Se eu construo um texto baseado apenas na minha visão, não dou a possibilidade de meu leitor refletir sobre o assunto e formar uma opinião crítica a respeito. E, infelizmente, isto é o que mais acontece. As pessoas só são informadas a respeito de uma única visão e não conseguem refletir e debater idéias e opiniões. Como diria a professora Isabela, a missão do jornalismo é “Informar para Formar” e não pura e simplesmente manipular... Que esse debate se estenda a todos os profissionais da área e que o Jornalismo possa ser uma importante arma de inclusão e debate social.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: portal G1

"Banho de sangue" no Sri Lanka precisa acabar

Refugiados chegam ao vilarejo de Putumatalan, no dia 22 de abril (Foto: Reuters)


Todos os dias costumo ler notícias na internet. Como trabalho, não sobra tempo para ler o jornal impresso.Ainda bem que existe a internet para me salvar...

Hoje gostaria de comentar uma notícia que me deixou chocada.

Já faz algum tempo que acompanho as notícias sobre a guerra civil no Sri Lanka...Há quem diga que este país é muito longe, e nada temos a ver com o que acontece por lá. Contudo, me perdoe a maioria das pessoas, mas não sou insensível a ponto de saber que existe um país onde milhares de inocentes, inclusive crianças, são vítimas de uma guerra sem fim. Por mais longe que seja, pessoas estão morrendo;milhares de pessoas. São vidas humanas que se perdem, e, mesmo de longe, não há como não ficar indignada.

Na matéria de hoje do portal G1 (http://www.g1.com.br/), o título da mesma me assustou: “Situação no norte do Sri Lanka é 'banho de sangue', diz ONU”. Segundo o texto, neste final de semana, pelo menos 378 civis morreram, sendo que mais de 100 eram crianças. Estas informações foram repassadas por um médico que atende a população, visto que os rebeldes que controlam a área não permitem a entrada de jornalistas nem de membros do governo. "A matança de civis em larga escala durante o final de semana, incluindo a morte de 100 crianças, mostra que o cenário de banho de sangue se transformou em realidade", é o que diz o porta-voz da ONU Gordon Weiss.

“Banho de sangue”.”Realidade”. Ao ler esta matéria, fiquei me perguntando se isto é mesmo realidade. Não consigo imaginar como seria me deparar com corpos espalhados pelas praias e estradas da região. Mais do que isso, fico pensando como teria sido os últimos minutos de vida destas pessoas. Será que foi uma morte sem sofrimento? Ou ficaram eles agoniando sem ajuda médica suficiente, já que mais de 50 mil pessoas estão isolados nesta área? E os que sobreviveram? Como será que foi ver este massacre acontecendo bem diante de seus olhos, imaginando que talvez pudessem ser os próximos?E para aqueles que perderam familiares e parentes? Qual não deve ter sido a dor de ver um ente querido estirado no chão ensangüentado (ou mutilado, decapitado, dado à força dos ataques)? E para as mães e pais, que perderam seus filhos ainda crianças, perdendo também a oportunidade de vê-los crescer e quem sabe um dia, viver em um país sem guerra e sem tantos sofrimentos?

Fico me questionando como podem existir pessoas, seres humanos, que insistem em fazer guerras, matam inocentes, principalmente crianças, sem que isso lhes cause qualquer tipo de arrependimento ou peso na consciência. Estas pessoas, a meu ver, não esboçam qualquer tipo de sentimento, não pensam naqueles que estão morrendo sem nada ter a ver com esta maldita guerra. Para mim, não são seres humanos. São monstros que se parecem muito com humanos, mas não o são. Pois,se somos todos da mesma espécie, como é possível então se achar no direito de tirar vidas, causar sofrimentos e dor?

Tudo bem. Este é um pensamento meu. Sei que existem pessoas no mundo inteiro que não se importam com isso, de forma que a religião, etnia, cultura, entre outras questões valem muito mais do que esse simples princípio.Qualquer motivo é motivo para se fazer guerra. O que não percebemos é que a guerra é detonada pelos detentores do poder, enquanto os que lutam no front de guerra e os que morrem nada têm a ver com ela.


Tudo o que se lê a respeito do Sri Lanka deve ser mesmo realidade. Mas uma realidade muito distante.A maioria das pessoas nem devem saber o que está se passando por lá. Eu, como jornalista, gosto de me informar a respeito de tudo, e, como uma pessoa hipersensível, acabo por me indignando. Mas não consigo não me sentir afetada.Não consigo ficar simplesmente alienada Se todas as pessoas do mundo se preocupassem, se todos os olhos se voltassem para lá, talvez pudéssemos fazer pressão para que situações como estas não se repetissem.


O problema da guerra no Sri Lanka não deve ser apenas dos moradores daquele país. Mas sim de toda a população mundial. Seres humanos estão perdendo suas vidas e isso não é um problema isolado. Há que se achar uma maneira de acabar com isto. Que as autoridades e os órgãos responsáveis pela ordem mundial interfiram e acabem de uma vez por toda com este “banho de sangue”.


Para quem quiser mais informações a respeito da Guerra Civil no Sri Lanka, o portal G1 traz várias matérias a respeito. O endereço é www.g1.com.br
Por Ana Paula Fontana
Imagem: portal G1

sábado, 9 de maio de 2009

Crônica - Era uma vez uma cidade sem história...


Campinas possui história riquíssima.São 274 anos marcados por épocas de evolução e progresso, alternadas com retrocessos. Começou como um pouso de tropeiros no “Caminho dos Goiases”. Tornou-se uma cidade nacionalmente importante através da cultura de cana-de-açúcar e café.

Devastada pela epidemia de febre amarela, como a Fênix que aparece em sua bandeira, reergueu-se e voltou a sentir as glórias do progresso, tornando-se um grande pólo tecnológico, referência nacional e internacional na produção de conhecimento e tecnologia.

Como marcas desta brilhante história, ficaram os prédios antigos, bustos e monumentos de pessoas e acontecimentos que jamais deveriam ser esquecidos. Porem, outra marca que Campinas traz ao longo dos seus 274 anos, é o de não saber respeitar e conservar os traços de seu passado.

Ao longo dos anos, Campinas deixou que sua história fosse pouco a pouco esquecida. A primeira capela, os grandes casarões, as praças e bosques, tudo foi sendo demolido, destruído. O progresso foi chegando e levando tudo que encontrava pela frente. As ruas e avenidas, passagens obrigatórias dos automóveis, transformaram as praças e áreas de lazer.

A “casa das Andorinhas”, o velho mercado das Hortaliças, foi demolida, e despejou para sempre seus ilustres habitantes. O Largo do Rosário deixou de ser um bosque para se tornar um grande calçadão. Antes disso, foi sede de um dos mais importantes templos religiosos da cidade, bem como local de origem do mais imponente monumento que Campinas já teve, o de Campos Sales. A Igreja foi demolida e o monumento transferido.
O Teatro São Carlos também foi demolido, mas, por uma boa causa: dar lugar a um novo teatro, o Carlos Gomes, maior e com mais acomodações. Este teve o mesmo fim, porém, trágico e sem justificativa. Foi substituído pelo progresso, pelo comércio.

O progresso também engoliu uma linda praça. Os cisnes também foram despejados e o lago deu lugar ao concreto. A beleza foi trocada pela desordem, pelo caos, pela paisagem cinzenta de ônibus e cacarecos. Onde hoje se vê desordem e poluição, já foi cenário de lazer e paz.

Mas, além de destruir toda a beleza de seu passado, Campinas faz questão de apagar todos os traços, para que as novas gerações não se reprimam, por não ter tido a oportunidade de conhecer o que foi destruído. Quase não se encontram registros destas belezas de outrora. Nem mesmo nas fontes que deveriam ser oficiais: bibliotecas, centros de memória, universidades. O pouco que se tem está restrito a poucos. Poucos livros, poucos arquivos. A população desconhece sua própria história.

Das andorinhas, pouco se fala. Do teatro e sua morte, testemunhos de poucos que freqüentavam-no e reconheciam seu valor. Da praça, quase ninguém se lembra, e quem não lembra, nem sabe que um dia existiu. Alias, é impossível acreditar que existiu, tendo em vista a paisagem de hoje em seu lugar.

E os monumentos? O que falar deles? Muitos nem ao menos sabem o que são. O que é um monumento? Um busto? Uma herma? E quem são estas pessoas? Porque foram importantes? Para muitos, eles são apenas bancos, encostos, depósito de lixo, empecilho ao progresso e a visão.

Uma cidade que desconhece seu passado não valoriza sua historia. Campinas traz as marcas do progresso. E junto consigo as tristes marcas do descaso e desrespeito. Muitos batem no peito e bradam que amam sua cidade. Mas são poucos o que realmente conhecem a “cidade das andorinhas”, a “princesa do oeste”, a “cidade fênix”.


Por Ana Paula Fontana
Imagem: Ana Paula Fontana

Um descaso com a história



Monumento a César Bierrembach pixado: falta de respeito à memória da cidade.










Monumentos e bustos em Campinas são alvos de vandalismo e abandono da Prefeitura

Ilustres figuras políticas e artísticas de Campinas, bem como acontecimentos e fatos marcantes de sua história, são ignorados e até despeitados pela própria Prefeitura e população da cidade. Monumentos, bustos, hermas e placas históricas situados nas praças e avenidas de Campinas não recebem manutenção do poder publico e são constantemente alvo de vândalos que desconhecem a rica trajetória da “princesa do oeste”.

Não é preciso andar muito para perceber que a maioria dos monumentos e bustos do chamado “centro histórico” de Campinas estão pichados, quebrados, servindo de deposito de lixo e ate mesmo de local de descanso na rotina corrida do campineiro. Muitos nem ao menos sabem quem são os personagens ou acontecimentos representados. O que vale é ter um local para sentar ou deixar aquele lixo incômodo. Para os transgressores, em sua maioria adolescentes, os monumentos e pedestais de bustos são lugares ideais para deixarem suas marcas.

Segundo Deise Ribeiro, Coordenadora da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), Campinas não possui uma política de conscientização da população a respeito de seus bens culturais. Assim, uma população que não conhece sua historia, não toma para si à responsabilidade de preservar o que é de todos. Para tanto, seria necessário um trabalho longo e continuo de conscientização da população, desenvolvido em parceria entre as Secretarias de Cultura e Educação, ate que os moradores se apropriassem do patrimônio histórico e cultural da cidade, preservando e valorizando-o.

Deise explica que a responsabilidade pela limpeza dos monumentos e bustos é do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), ligado à Secretaria de Infra-Estrutura. Entretanto, a segurança dos bens históricos deveria ser feita conjuntamente com a polícia, que deveria estar mais presente aos locais onde eles se encontram. Uma melhor iluminação dos monumentos e bustos seria necessária, já que é a noite que a maioria dos casos de vandalismo costuma acontecer.

De acordo com Deise, depois que as obras são pichadas, pouco se pode fazer para recuperá-las. A tinta spray adere ao monumento e dificilmente é tirada pelas técnicas usuais de limpeza. “Há certo tipo de produto que retira a tinta usada pelos pichadores, mas ela acaba por corroer o material do monumento, geralmente nobre, como o bronze, o que acaba por prejudicá-lo ainda mais”. Um outro produto citado por ela, pode ser usado para não permitir que a tinta spray se fixe nos materiais, mas este é caríssimo e sua aplicação só poderia ser feita a longo prazo, devido os altos custos de compra e contratação de um especialista na aplicação.

Já quando os monumentos e bustos são quebrados ou tem alguma peça furtada (como já aconteceu com uma das quatro liras do monumento a Carlos Gomes, ou a perna do menino do monumento a Dom Nery), a manutenção e recuperação do mesmo dependem de verba da Prefeitura para ser realizada, o que pode demorar meses e até anos.

A falta de verbas, aliás, é outro problema enfrentado na preservação do patrimônio cultural de Campinas. Campanhas de conservação e de manutenção dos bens históricos não são prioridades dos governantes, o que faz com muitos continuem depredados e pichados por longo tempo. “Existe mais discurso sobre a valorização da história e da cultura do que ações”, diz ela. O CONDEPACC está em negociação para liberação de uma verba para manutenção dos 17 monumentos tombados, mas não há previsão de quando isso acontecerá.

Enquanto isso, os monumentos aguardam por reparação, como é o caso do busto de Thomaz Alves, que faz parte de um monumento situado na Praça Carlos Gomes. Alvo de vândalos que tiraram a “cabeça” do monumento, ele aguarda por reparos, estando hoje no deposito do DPJ. Quando isso ocorre, as ações de recuperação são realizadas pela Secretaria de Infra-estrutura, supervisionada diretamente pela CSPC e CONDEPACC. Deise ainda explica que, quando um monumento é tombado pelo CONDEPACC, a supervisão sobre as condições deste é feita com maior regularidade, o que pode facilitar o processo de conservação; o mesmo não ocorre com os bens não tombados. A Prefeitura não possui um mapeamento de monumentos e bens históricos, o que é um erro grave. A única documentação disponível é a que encontra-se no Centro de Documentação do Patrimônio Cultural Maria Luiza Silvania Pinto de Moura, ligado a CSPC, mas limitada aos bens tombados.

Por Ana Paula Fontana
Imagens: Ana Paula Fontana

Coluna do Leitor...

Quando postei a matéria da Sia no meu blog antigo, recebi um comentário muito especial a respeito desta matéria....Tão bacana que não poderia deixar de postá-la aqui..Até como uma homenagem a esta pessoa tão especial para mim.

Assim, com vocês, Josué Galinari. Galã e grande artista.

"Olá, meu nome é Josué Galinari e durante 2 anos fiz parte do elenco da Sia Santa.Bom, falar sobre Sia Santa é um grande prazer, pois além de colegas de trabalho essa galera passou a ser minha segunda família durante esse período de trabalhos prestados à companhia.Assim que cheguei, me deparei com outro estilo de companhia de teatro, porquê na Sia Santa todos são 'SÓCIOS',sendo assim, além de ser ator da companhia eu também aprendi a ser: Produtor, Fazer adereços cênicos, Vender espetáculos, ou seja, quando se entra na companhia, o profissional tráz consigo uma visão de teatro e do meio artístico e, quando sai da companhia essa visão é completamente diferente, você aprende na prática o que nenhuma escola de teatro pode ensinar na teoria. Além do mais, é a única companhia de teatro do Brasil que oferece "MORADIA" e "ALIMENTAÇÃO" aos seus profissionais, sem contar que o clima de trabalho é muito agradável.Só tenho a agradecer aos diretores Crispim e Jorge pela oportunidade e pelo carinho com que fui tratado, foi sem dúvida uma grande experiência que somou muito para o meu cerscimento pessoal e profissional".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sia Santa: marca registrada de sucesso

O diretor e um dos fundadores da Sia Santa, Crispim Júnior, na sede da companhia.


O nome Sia Santa vem de “Cia Santa”, Sociedade de Aperfeiçoamento de Nacionais de Teatro e Arte (S.A.N.T.A.) sugestão de Jorge Fantini, também idealizador e diretor da mesma. Depois de varias votações para escolha do titulo da recém-fundada companhia, Fantini “venceu” Crispim Junior, seu sócio, mas este ainda conseguiu mudar o “Cia” para “Sia”, para gerar curiosidade no publico em geral e, assim fazer com que as pessoas gravassem melhor o nome.Com isso, desde 1973, “Sia Santa” tornou-se marca registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

De acordo com Crispim, a companhia surgiu no Teatro do SESC em Campinas, já que ainda não havia a sede própria. No início, as apresentações também eram bem diferentes: ”Em 1974 nós chegamos a ganhar um prêmio do Correio Popular como “o grupo mais ativo da cidade” com 12 apresentações no ano. Hoje fazemos isso em uma semana”, relembra o diretor, que tem uma agenda cheia de apresentações em Campinas e região.

Teatro Escola Sia Santa
Rua Sebastião Paulino dos Santos, 20 Pq. Santa Bárbara - CEP 13064-000- Campinas, SP Fone: (19) 3281-3174 siasanta@siasanta.art.br Espetáculos Sia Santa Teatro Infantil Meu Pequeno Príncipe Pinóquio A Bela Adormecida
O Gato de Botas
O Coelho Engenheiro
No Reino Mágico de Oz
Pedro e o Lobo

Teatro Adulto
Aniversário de Casamento
Teatro Empresarial
Rádio PrevençãoCorpo e Ação Entre o Céu e o Inferno Performances Temáticas

Por Ana Paula Fontana
Imagem: arquivo pessoal Crispim Junior

Sia Santa: 35 anos fazendo arte

Atores da Sia Santa em ação no Hotel Royal Palm Plaza Campinas












Pouco conhecida pela população de Campinas, companhia é respeitada no cenário nacional.


A companhia de Teatro Sia Santa, de Campinas, celebrou em 2008 35 anos de existência. Nesse período, já produziu mais de 80 espetáculos, apresentando-se para crianças e adultos em escolas, empresas, hotéis, clubes, entre outros locais, por todos os estados do país e também no exterior. É uma das poucas companhias de teatro do Brasil a completar tantos anos de história, ao mesmo tempo em que conquista sucesso de público e diversas premiações.

Fundada em 10 de junho de 1973, por Crispim Junior e Jorge Fantini, a proposta era criar a primeira companhia profissional de teatro da cidade. Hoje é referência em teatro infantil e empresarial, contando com infra-estrutura própria, como o teatro, situado no bairro Santa Bárbara, em Campinas, além de veículos e equipamentos próprios.

Segundo Crispim Júnior, hoje diretor ao lado de Jorge, já passaram pela Sia Santa nestes 35 anos cerca de 2 mil profissionais, entre artistas e técnicos. Atualmente, o quadro social é de 30 profissionais. No repertório, conta com 12 espetáculos, sendo sete de teatro infantil, três de teatro empresarial, um de teatro juvenil-adulto, um de teatro educacional, além de performances temáticas e produtos sob medida. Isso é possível através de convênios com empresas e instituições, como a EPTV, com quem desenvolveu o projeto de teledramaturgia da minissérie “O Combate da Venda Grande” e o hotel Royal Palm Plaza, onde realiza teatros e eventos temáticos.
“Ao longo de 35 anos formando platéias, a Sia Santa se orgulha de levar e elevar o nome de Campinas para quase todo o território nacional e também alguns países da América do Sul, como Colômbia, Equador, Peru, Argentina e Paraguai”, afirma Crispim, sobre trabalhos feitos pelo grupo também no exterior. Além disso, a Sia Santa participou ainda de intercâmbios culturais com companhias e escolas teatrais dos Estados Unidos, Portugal e Itália.No vasto currículo, contam ainda premiações como, Troféu Imprensa, Prêmio APTC, Prêmio APCA , Prêmio Mambembe, Aluízio Magalhães, entre outras.

Crispim lembra ainda que nestes 35 anos, grandes atores, hoje famosos e reconhecidos, passaram ou iniciaram suas carreiras na companhia, como “Rita Guedes, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Carlos Augusto Strazzer, Roberto Lage, Antonio Abujamra, Jorge Dória, George Otto, Zezé Fassina, entre tantos outros”, lista ele. Para quem se interessar em fazer parte da respeitada companhia, basta entra em contato pelo site ou telefone e agendar uma entrevista.O material apresentado pelo candidato é analisado por todos os artistas e ficará no banco de talentos da Sia Santa.Se aprovado, o ator ou atriz passará a fazer parte do corpo da companhia, tornando-se um sócio, já que é uma associação cultural sem finalidade econômica e sem vínculo empregatício, mediante termo de adesão voluntária, nos termos da Lei 9.608/98.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: Ana Paula Fontana

Barão Geraldo: uma imagem desfocada da desigualdade social.


Vista aérea da Unicamp e Ribeirão das Pedras no Real Parque: contraste entre centro acadêmico e esgoto a céu aberto



As conflitantes realidades dos condomínios de luxos e as submoradias.

Barão Geraldo é um dos quatro distritos da cidade de Campinas. Considerado privilegiado por possuir duas universidades, um pólo tecnológico reconhecido nacionalmente, além de uma grande variedade de indústrias e empresas prestadoras de serviços, é ainda lembrado como um centro de concentração de intelectuais e pessoas de cultura elevada. Porém, esta “fama” de Barão Geraldo não condiz totalmente com a realidade, já que grande parte da população do distrito não se “enquadra” na imagem amplamente divulgada, seja pela mídia, seja pelos moradores mais abastados.

Segundo Márcia Beatriz Muller, 53, enfermeira e moradora do Jardim Independência há 12 anos, essa “fama” é totalmente desatualizada, já que “a grande maioria da população não é universitária, nem intelectual e nem tão culta”. O que se vê na realidade é uma grande desigualdade social, com a maior parte dos moradores universitários e de renda elevada concentrados principalmente nas “áreas nobres”, como os bairros Cidade Universitária, Parque das Universidades, Centro, Novo Barão Geraldo, Tijuco das Telhas e os diversos condomínios de luxo, como Barão do Café e Rio das Pedras entre outros, em contraponto a bairros como Real Parque, Village Campinas, Vila Holândia e Piracambaia, que sofrem ainda hoje com problemas como submoradias, falta de asfalto e saneamento básico, falta de transporte coletivo e difícil acesso aos órgãos públicos e serviços de saúde.

De acordo com ela, é essa maioria “que paga o preço da fama, com altos preços de aluguel, alimentação e outros problemas que esse pólo causa”. É essa também a opinião de Antonia Agnelo Inácio, 35, moradora do bairro Village Campinas há 31 anos. ”Há em Barão favelas,submoradias, exploração de menores, dependentes químicos e outros descasos” que não correspondem à imagem de distrito economicamente privilegiado. De acordo com outra moradora antiga de Barão, Elizabeth Ribeiro Andreothi, 48, que vive no distrito há 31 anos, essa imagem é negativa para a população, “pois todos acham que o distrito é rico e não necessita de ações e investimentos da prefeitura nas áreas de saúde e habitação. Com isso, outros bairros são sempre priorizados e Barão perde muito em melhorias”.

Os jovens que nasceram no distrito também discordam da falsa imagem de “economicamente privilegiado”. Segundo o estudante universitário Diego Rafael de Barros, 20, “há de um lado os condomínios de luxo, do outro favelas e bairros pobres”. Esse contraste citado por ele pode ser observado entre as belas casas e mansões dos bairros e condomínios nobres e as condições de moradias encontradas nos bairros mais afastados do centro. São casas à beira de córrego com esgoto a céu aberto, como no bairro Real Parque; ou casas pequenas, de 2 ou 3 cômodos abrigando famílias numerosas,como na Vila Holândia e Piracambaia, ou ainda moradias “improvisadas”, espaços antes utilizados para outros fins.

É esse o caso de Matilde Jesus dos Santos, que mora com o marido, dois filhos, a mãe e mais 4 irmãos em uma das seis antigas baias do Haras Passatempo, no bairro Guará.Segundo ela, enquanto o haras estava em funcionamento, os cavalos do centro hípico eram guardados nestas baias.Com o fechamento do local, o dono transformou-as em habitações, cobrando um aluguel de R$200,00 mensais.Sua casa é um barracão, sem divisões de cômodos e com um pequeno banheiro.Possui uma única janela e a iluminação e ventilação não é eficiente.Analfabeta, Matilde não sabe nem ao menos dizer a própria idade, nem o tempo que mora nesta “casa”.Não trabalha, não sabe dizer qual a renda mensal da família e afirma nunca ter recebido ajuda de órgãos públicos ou mesmo ONGs.Diz que nunca sai de casa, a não ser para ir ao Centro de saúde, onde faz acompanhamento do pré-natal e dos filhos mais novos.Diz não conhecer bem Barão Geraldo e não sabe responder o que há de melhor e pior no distrito. Além de Matilde, outras famílias vivem em situações semelhantes nos bairros Guará e Village Campinas.

Alem da situação econômica, a situação cultural também não condiz com a realidade. A grande maioria dos moradores fixos de Barão Geraldo não faz parte da chamada “elite intelectual”, composta por uma pequena parcela da população, formada pelos professores e alunos da Unicamp e Puccamp. Muitos jovens e adultos nem chegam a concluir o ensino médio. Na família da agente de saúde Kelly Fernanda Carvalho, 26, por exemplo, a maioria dos jovens com idade entre 14 e 28 anos parou de estudar na 8ª série.Para ela, “os jovens de Barão têm que concorrer com estudantes do Brasil inteiro que sempre estudaram em escolas particulares e que de certa forma nunca precisaram trabalhar”.”No colégio público, o ensino é deficiente e o jovem não consegue ter acesso à Unicamp”, afirma Diego.Ou seja, morando tão perto da universidade, os jovens de Barão precisam sair do distrito para cursarem universidades particulares em outros bairros de Campinas.

Por Ana Paula Fontana

Imagens: Foto Aérea da Unicamp: Antoninho Perri – Ascon- Unicamp, retirado do site http://www.ic.unicamp.br/sbcars2007/

Ribeirão das Pedras, no Real Parque: Ricardo S. Dagnino, retirado do site http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribeir%C3%A3o_das_Pedras_-_Real_Parque.jpg

PIB e renda per Capita escondem realidade


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Barão Geraldo conta oficialmente com 45 mil habitantes. Segundo dados não-oficiais da Subprefeitura de Barão Geraldo são 65 mil. Soma-se a isso uma população flutuante de mais de 20 mil pessoas, que são os estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp), e da Pontifícia Universidade Católica (Puccamp) situadas no distrito, além de trabalhadores que se deslocam todos os dias de outros bairros de Campinas e até mesmo de cidades da região.

Com cerca de 72 bairros,a renda per capita dos moradores é de 15,1 salários mínimos, cerca de R$6.266,00, e o Produto Interno Bruto (PIB) de R$2,7 bilhões ao ano, o que corresponde 12% ao PIB da cidade e é superior ao de cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC), como Vinhedo, Valinhos, Itatiba, Nova Odessa, Monte Mor, Cosmópolis, Pedreira, Holambra, Artur Nogueira, Santo Antonio da Posse e Engenheiro Coelho.


Alem das universidades, possui em seus 192 km² em torno de 18 indústrias, 360 comércios, 192 empresas prestadoras de serviço, alem de 10 agências bancárias. Na área de Barão Geraldo está concentrado o II Pólo Tecnológico de Campinas, onde situam-se empresas reconhecidas nacionalmente, como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e o Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS).Na área da saúde, conta com estabelecimentos de referencia nacional: o Hospital das Clínicas da Unicamp, referência nacional em atendimentos especializados e de alta complexidade; Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro); Centro de Atenção Integral à Saúde (CAISM) e o Centro Infantil Boldrini, referencia mundial em tratamento de câncer infantil e doenças do sangue.


Imagem:imagem de satélite, retirado do site http://www.prg.unicamp.br/moradia/localizacao.html

Desigualdade Social no Brasil



Segundo dados do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a distribuição de renda no Brasil é uma das mais desiguais do mundo. Enquanto 46,7% da renda nacional está concentrada nas mãos de 10% da população, 9% do povo brasileiro vive com menos de US$1 por dia. A renda média anual dos 10% mais ricos do país gira em torno de UR$ 37.534 , enquanto a renda dos 10% mais pobres é de apenas UR$ 656.Para cada dólar que os 10% mais pobres do Brasil recebem, os 10% mais ricos recebem UR$ 68.


No índice de Gini (levantamento que avalia a desigualdade de renda), o Brasil tem índice próximo de 0.6, considerado de desigualdade extrema e rara, já que apenas poucos países possuem índice superior a 0,5. No ranking dos países mais desiguais do mundo,num total de 127 países, o Brasil ocupa a 8 ª colocação, superando todos os países da América Latina e perdendo apenas para 7 países africanos: Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.


Contudo, de acordo com o mesmo relatório da ONU, a situação do Brasil começou a melhorar, ainda que de forma lenta. No período de 2007/2008, o país entrou pela primeira vez para o grupo de países com elevado desenvolvimento humano, com índice de 0.800 em 2005.Ainda assim, está na 70ª colocação.Em 2004, a taxa de renda per capita da população mais pobre subiu 14,1%, enquanto da população mais rica subiu apenas 3,6%.Isso deve-se,segundo alguns economistas e técnicos do Banco Central, aos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.



Por Ana Paula Fontana

Imagens: retiradas dos sites http://holisticenergetics.com/alquimia/index.html e http://www.pontoblogue.com/2008/12/socialismo-la-como-ca.html?showComment=1229804820000 (sem especificar autores das fotos)

Jovem é exemplo de dedicação e comprometimento no trabalho voluntário

Glauber Augusto Rodrigues, de 21 anos, profissional de T.I. e estudante universitário é um verdadeiro exemplo a ser seguido por sua geração,preocupada com problemas sociais, mas que quase nada faz para resolver estes problemas.

Glauber é voluntário do Instituto Ingo Hoffmann,entidade que abriga crianças de todo país que vêm a Campinas para tratamento no Centro Boldrini. Ele é um dos cinco voluntários que revezam entre si , uma noite por semana, para dormirem no instituto, e assim ajudar as famílias em casos de emergência, já que os funcionários do instituto tem seu período de trabalho durante o dia.

Nesta entrevista concedida por e-mail, Glauber conta, entre outros assuntos, como conheceu e começou seu trabalho no Instituto Ingo Hoffmann, sua relação com as crianças, à importância do trabalho voluntário, inclusive na sua vida e ainda, e deixa um recado para outros jovens que queiram, como ele, fazer o bem sem esperar nada em troca.

1) Como você conheceu o Instituto Ingo Hofmmann?
Bom, eu conheci o Instituto a partir de quando precisei ficar lá para tratamento. Eles cederam um chalé, onde fiquei por quase dois meses.

2) Como e quando você se interessou por trabalho voluntário e começou no instituto?
Depois que terminei o tratamento, procurei a Regina para falar do meu interesse em fazer um trabalho voluntário, e depois de uma semana que havia falado com Regina já comecei o voluntariado, que faz quase um ano.

3) Como é o trabalho que você realiza no instituto?(o que exatamente você e faz?). Meu trabalho no Instituto é levar as crianças no boldrini, ir à farmácia, atender aos visitantes quando chegam à noite, pois meu trabalho é à noite. E também atender aos telefones. Em geral um pouco de tudo.

4) Qual a importância que você da para o trabalho voluntariado na sua vida?
O trabalho de voluntário é muito importante em minha vida, porque aprendi como a vida pode transformar. Ver aquelas crianças, querendo viver e terem limites, querendo se divertir e não poderem. E saber que reclamamos de tão pouco e que eles sorriem por qualquer coisa, porque eles dão valor na vida. E nas simples coisas que a vida pode oferecer.

5) Como você avalia esse trabalho no seu dia-a-dia?O que mudou ou o que esse trabalho acrescentou na sua vida?(pessoal, profissionalmente, na sua personalidade...).
Pra mim não é um trabalho, mas sim uma conquista que tenho na minha vida. Acrescentou muito na minha vida ser voluntário, aprendi muito em poder ajudar a quem precisa, minha vida mudou totalmente, pois agora tenho vários amigos verdadeiros, que são na verdade anjos que entraram em minha vida. E profissionalmente e na personalidade, isso se torna automático, porque tudo melhora, a gente se torna seres humanos de verdade.

6) você lida diretamente com as crianças do instituto?Como é sua relação com elas?
Minha relação com as crianças é direta, tenho contato com eles sempre. Procuro sempre saber delas, se estão bem ou se estão internadas. Minha relação com as crianças é excelente, eles gostam muito de mim, e eu amo aquelas crianças.

7) você sente algum tipo de dificuldade em realizar seu trabalho?(tipo indisponibilidade de horário, dificuldade em lidar com crianças, dificuldade em lidar com certas situações...?).
Não tenho nenhuma dificuldade, apenas temos que ser natural nas atitudes, fazer com o coração, e na questão de horários, sou voluntário na hora em que tenho maior disponibilidade, para poder estar com eles. Não encontro nenhum problema em estar no Instituto.

8) Trabalhar com crianças geralmente acarreta em apego sentimental, envolvimento pessoal e emocional com elas; crianças principalmente se apegam muito a pessoas que lidam com elas. Como você lida com isso?
Realmente a gente se apega muito as crianças, temos que ser fortes, porque há momentos tristes em que infelizmente temos alguma perca. Onde eu falo que é a hora que o anjo volta pra casa. Peço todos os dias a DEUS que ele possa olhar pelas aquelas crianças e famí­lias que se encontram no INSTITUTO. Mas isso faz parte da vida, temos que aprender com isso também e confiar na misericórdia de nosso Pai eterno.

9) Como você lida com situações como internação, alta e até mesmo óbito de crianças do instituto?
Esses são momentos difíceis, em que temos que nos controlar emocionalmente para confortar as famílias nesse momento tão difí­cil, mas quando estou sozinho, realmente não é fá­cil não expressar a dor que sentimos quando perdemos uma criança. Nas internações, sempre procuro ir visitar elas no boldrini, para poder ajudar em alguma coisa.

10) você toma algum tipo de cuidado quanto a esse envolvimento, principalmente para preservar sua própria saúde? No sentido de não sofrer tanto com a perda ou distancia (no caso de alta, ex)?
O que eu procuro fazer quando eles têm alta ou quando eles não estão mais no Instituto, sempre procurar saber a respeito da criança, se esta bem, mas temos que nos controlar para superar qualquer coisa que venha ocorrer, apesar de ser difícil de controlar às vezes.

11) O que mais você pode dizer sobre o trabalho voluntário?
O que mais posso dizer é que estou muito feliz em fazer parte do INSTITUTO, e que aprendi muito com o trabalho voluntário. Ajudar, fazer e acontecer, é isso que é importante, não ajudar só por ajudar, mas sim ajudar pra ver aquelas crianças mais felizes, e é isso o que importa.

12) Qual recado você deixaria para jovens que desejam começar a desenvolver trabalho voluntário?
Meu recado é que devemos sempre ajudar a quem precisa, não pense que você vai perder alguma coisa, mas sim vai ganhar. Nós jovens, temos o espí­rito de vitória e de conquistas, então conquiste essa vitória em sua vida, seja um voluntário, será o maior presente que você poderá ganhar. Ver o sorriso de uma criança no rosto quando você chega, não tem preço, isso é muito gratificante. Que todos possam ajudar, coloque uma frase em sua vida. Seja VOLUNTARIO Já!

Por Ana Paula Fontana
Imagem: retirada do site http://www.ingohoffmann.org.br