
Refugiados tentam fugir dos bombardeios no Sri Lanka
Falando ainda na guerra civil no Sri Lanka, fico a pensar sobre o papel do jornalista no contexto mundial. As informações que encontramos a respeito da guerra não são oficiais, não podem ser corretamente apuradas, visto que os jornalistas são impedidos de entrar na área de conflito dominada pelos rebeldes. O que se têm são os relatos dos sobreviventes que chegam aos campos de refugiados. Mas até onde estas informações são reais e seguras?Até onde estes refugiados sabem realmente o que se passa e quantas pessoas estão sendo mortas e feridas? Na ânsia de fugir da guerra, muitos nem devem saber onde estão indo; apenas seguem o fluxo da multidão.
É nesse ambiente que se faz necessária a presença dos jornalistas. Eles são (ou pelo menos deveriam ser) os "olhos do mundo", que deveriam contar o que realmente acontece. Mas, contrariando o princípio básico do Jornalismo, a imparcialidade, isso nem sempre acontece.
Na verdade, a imparcialidade jornalística é um mito. Os jornalistas sempre escrevem baseados em suas visões de mundo, muitas vezes influenciados, inclusive, pelas empresas de comunicação em que trabalham. Sim, porque, antes de tudo, os veículos de comunicação também são empresas, e como tais, têm seus interesses e objetivos. E são estes que determinam a linha editorial que vai ser seguida, ainda que subjetivamente, pelos profissionais que nele trabalham.
Voltando ao assunto da guerra, penso que até o momento me baseei em informações que li na rede virtual. Mas, será que todas as informações divulgadas correspondem a verdade? Ou mostram apenas um lado do problema?
Faço esta questão levando em consideração um outro caso de guerra. O conflito que existe há décadas na região da Palestina. A grande mídia (entenda-se grandes redes de tv, jornais, agências internacionais, entre outras) está acostumada a mostrar sempre o lado de Israel,que apenas “revida” os ataques do lado palestino. Israel é colocado como “defensor do mundo contra o terrorismo”. Mas nunca fala-se nos ataques feitos pelos israelenses, quantos civis são mortos e como fica a situação dos sobreviventes.
Esse lado é apresentado na chamada “mídia alternativa”. Essa, por sua vez, acusa Israel de atacar mesmo em períodos de trégua, o cessar-fogo, “assassinar” mulheres, idosos e crianças, atingir alvos civis, como hospitais e escolas.Segundo matérias publicadas em vários veículos diferentes, os representantes da Palestina já teriam aceitado resolver o problema de forma diplomática, enquanto Israel teria optado pela continuação do conflito armado. Enfim, são duas versões conflitantes.
Não vou expressar aqui minha opinião a respeito, apesar de ser ela bem definida. O que eu quero é levantar a seguinte questão: porque os veículos de comunicação são imparciais quando tratam deste assunto? Porque não se coloca numa mesma matéria informações cedidas por ambos os lados? Porque a apuração não é feita corretamente?
Alguns jornalistas que leio com freqüência dizem que a grande mídia acompanha a versão “oficial”, a versão de Israel, porque este é apoiado pelos Estados Unidos. Seria essa uma boa justificativa, afinal, quem ousaria contrariar os “donos do mundo”? A mídia alternativa faz isso, mas o público-alvo desta é bem menor que a grande mídia.
Mas acredito que não seja só isso. A visão de mundo talvez seja mesmo ainda mais forte. Cada um tem seus próprios valores e opiniões. E isto influencia diretamente no trabalho jornalístico. Há profissionais que defendem enfaticamente cada uma destas posições.
Para ilustrar o que quero dizer, vou citar outro exemplo. Sempre gostei muito de ler textos sobre coisas que não entendo. Um dos vários assuntos a que já dediquei horas de leitura foi sobre o Holocausto. Diante de tantos dados, não há como negar a morte de mais de 6 milhões de judeus. Entretanto, há aqueles que tentar negar que ele aconteceu e, pior do que isso, há aqueles que defendem a posição de Hitler! Eu mesma conheci certa vez uma jornalista que defendia tal monstruosidade. E isso não porque ela não tinha acesso a textos que defendiam o outro lado, mas sim porque sua visão de mundo é diferente da grande maioria das pessoas. De nada adiantaria mostrar-lhe dados e provas de que milhões de pessoas morreram. Para ela, Hitler é um gênio que fez a coisa certa.
Seguindo aqui o princípio da imparcialidade, não quero colocar minha opinião a respeito dos fatos, mas abrir um debate a respeito de nossas visões de mundo. Como jornalista, eu preciso saber ouvir e respeitar a visão e opinião de todas as pessoas, mesmo que eu não concorde com elas. A partir de uma apuração bem feita, devo passar para meu público o máximo de informações que eu conseguir e ele sim deve tirar suas próprias conclusões e escolher de que lado quer se posicionar. Se eu construo um texto baseado apenas na minha visão, não dou a possibilidade de meu leitor refletir sobre o assunto e formar uma opinião crítica a respeito. E, infelizmente, isto é o que mais acontece. As pessoas só são informadas a respeito de uma única visão e não conseguem refletir e debater idéias e opiniões. Como diria a professora Isabela, a missão do jornalismo é “Informar para Formar” e não pura e simplesmente manipular... Que esse debate se estenda a todos os profissionais da área e que o Jornalismo possa ser uma importante arma de inclusão e debate social.
Por Ana Paula Fontana
Imagem: portal G1

Bom, apesar de que não fazer parte do mundo jornalístico, mas como conhecedor do chamado princípio da imparcialidade, pois minha profissão exige em alguns casos, minha opinião é a seguinte: Tudo que se escreve é preciso de provas! A midia "A" escreve com base em "provas verídicas" de que Israel é a vitíma na guerra contra a Palestina.É muito complicado ser imparcial quando não se tem provas do contrário ao que vc conseguiu provar. A midia "B" (podendo ser a midia alternativa) escreve também com base em "provas verídicas" de que Israel é o vilão na guerra contra a Palestina e para ela também é complicado escrever algo ao contrário. O fato é que, algumas coisas que a midia "A" publica são verdadeiras e outras falsas, assim como a mídia "B" também publica noticias verdadeiras e outras falsas.Ao leitor sim, cabe analisar os fatos e ver sua posição, mesmo que sua posição para outros seja incorreta. Acho que o jornalista deve ser imparcial num primeiro momento, mas chega uma hora que ele não consegue mais ter esta imparcialidade diante das provas existentes! Veja Aninha, vc denunciou o descaso com a História de Campinas, neste momento vc deixou a imparcialidade de lado e foi aos fatos!Outra pessoa pode dizer com base em "fatos" de que a História de Campinas não foi esquecida! Cabe ao leitor, ter sua própria opinião e concordar com vc ou com a outra pessoa ou ter uma terceira opinião!A imparcialidade realmente é um mito! Cada jornalista defende sua visão de mundo!
ResponderExcluir