Nas últimas semanas, crimes chocaram o Brasil. Primeiro:o acidente causado pelo deputado Fernando Carli Filho, em Curitiba/PR , no dia 7 de maio.Segundo: a morte de Gabriela Nunes de Araújo, de oito anos, baleada na cabeça durante um assalto a casa em que morava em Rio Claro, no dia 20 de maio.No primeiro caso, o deputado Carli Filho, de 26 anos, dirigia bêbado, com a carteira de habilitação suspensa desde o ano passado (por causa de 30 multas e 130pontos), e acima da velocidade permitida, causando a morte de outros dois jovens: Gilmar Yared,26 anos, e Carlos Murilo de Almeida,20 anos.
O acidente, noticiado nos principais veículos de comunicação, teve repercussão nacional. Pessoas do Brasil inteiro se manifestaram, nas páginas das principais revistas, portais de notícias, blogs, e até mesmo nas páginas do orkut. A mãe de Gilmar, Christiane Yared, em entrevista à revista Época (ed. 575, de 27/5/2009) disse que todos os dias pessoas entram em sua página do orkut e telefonam. Segundo ela, “numa igreja em Mato Grosso do Sul, os membros estão em jejum há 12 dias. Pedem por nós”.
No que diz respeito ao segundo caso, a morte de uma criança sempre causa comoção. Mas, em situações como a da menina Gabriela, a indignação é ainda maior. Ela estava em casa com a irmã gêmea e a babá e, após uma tentativa frustrada de assalto, foi atingida por um tiro certeiro e intencional.
Ambos os crimes abriram um debate a respeito da violência que aflige o Brasil hoje. Mais do que isso, sugere uma reflexão a respeito do comportamento violento das pessoas. Meu objetivo aqui não é comentar a respeito de ambos os casos, pois eles já foram noticiados nos principais veículos de comunicação do país. Nem mesmo me ater a estas discussões já em curso por estes veículos.
Pretendo sim, abrir uma discussão sobre outro aspecto. Para isso, talvez deixe de lado a Ana Paula Jornalista e assuma como Ana Paula pessoa.
Quando li a respeito destes dois crimes, fiquei imaginando o que se passaria na cabeça das pessoas envolvidas nestas situações.
Vamos refletir: Fernando Carli Filho é deputado. Logo, como pessoa pública, deveria se comportar de forma exemplar diante dos eleitores que o elegeram. Ao contrário, suas ações são totalmente reprováveis. Sua carteira de motorista estava suspensa há mais de um ano. Isso por causa de 30 multas, sendo 23 por excesso de velocidade. Na noite do acidente, ele estava embriagado e dirigia a 150km por hora. Os dois jovens que morreram, ao contrário, trafegavam a 30km por hora e respeitaram o cruzamento ao qual o deputado não respeitou.
Considerações importantes: em primeiro lugar, Carli Filho não deveria estar dirigindo, pois estava com a carteira suspensa. Segundo, não deveria estar dirigindo, pois estava embriagado. Terceiro, deveria respeitar as leis de trânsito e a preferência em cruzamentos, coisas que não fez.
Então pergunto: o que leva uma pessoa em sã consciência a pegar um carro mesmo sem carteira e dirigir em alta velocidade, causando a morte de pessoas inocentes? Como pode alguém se comportar com irresponsabilidade e imprudência e não ter nenhum peso na consciência? Qual a justificativa para acidentes como esse? “Acidentes acontecem”?
E no caso da morte de Gabriela? O que leva um adolescente de 17 anos a atirar em uma criança, que não esboçou nenhuma reação? Era necessário fazer aquilo? O que justifica aquela atitude?
O que eu quero refletir aqui é que as pessoas, os jovens, em especial, estão agindo por impulsos, sem medir as conseqüências de suas ações, sem pensar no outro, no quanto podem fazer mal a outras pessoas. As pessoas se esquecem dos princípios e valores básicos que deveriam nortear suas ações.
Mas...Será que é só esquecimento? Como eu posso esquecer que minha carteira está vencida, que gosto de beber (e muito!) e ainda assim não parar para pensar que assim, pegando meu carro nestas condições, eu posso provocar um acidente e causar a morte de outras pessoas? Ou então, como posso sequer apontar uma arma para outra pessoa e não pensar no sofrimento que vou causar a esta pessoa e seus familiares?
Será que as pessoas não estão, aos poucos, perdendo os valores éticos e morais? Será que as pessoas não estão deixando de ser pessoas para se tornarem monstros, cruéis e assassinos? E o que será que causa isso?
Várias vezes me peguei questionando e debatendo isso com um grande amigo, a caminho da faculdade. Juntos, ficamos pensando o que está acontecendo com este mundo. Porque aumentam os casos de violência no trânsito, assassinatos, crimes passionais e contra crianças.
Como jornalista, por mais que estude estes casos, não consigo entender o porquê. Talvez profissionais de outras áreas, como cientistas sociais e psicólogos, entre outros, estudem a respeito e saibam dar uma resposta, ainda que incerta.
O que eu acredito é que a sociedade precisa fazer algo para tentar entender o que está mudando, rever valores antigos e impedir que tragédias como estas continuem acontecendo.
Seja por falta de caráter ou qualquer outra coisa, as pessoas precisam começar a rever seus atos e os pais devem investir na educação de seus filhos, para que atitudes como esta não acabem se tornando normais. No fim das contas, normais serão as pessoas violentas e sem caráter, enquanto os anormais serão aqueles que ainda cultivam seus valores e princípios.
Por Ana Paula Fontana
Referência: Matéria “Fernando Carli Filho: trinta multas não bastaram”, disponível no site da Revista Época, http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI73068-15223,00-FERNANDO+CARLI+FILHO+TRINTA+MULTAS+NAO+BASTARAM.html ).
Matéria Menina de 8 anos é baleada em assalto em Rio Claro (SP), disponível no site g1, http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1161787-10406,00-MENINA+DE+ANOS+E+BALEADA+EM+ASSALTO+EM+RIO+CLARO+SP.html

















