quarta-feira, 27 de maio de 2009

Crimes que abalaram o Brasil...

Nas últimas semanas, crimes chocaram o Brasil. Primeiro:o acidente causado pelo deputado Fernando Carli Filho, em Curitiba/PR , no dia 7 de maio.Segundo: a morte de Gabriela Nunes de Araújo, de oito anos, baleada na cabeça durante um assalto a casa em que morava em Rio Claro, no dia 20 de maio.

No primeiro caso, o deputado Carli Filho, de 26 anos, dirigia bêbado, com a carteira de habilitação suspensa desde o ano passado (por causa de 30 multas e 130pontos), e acima da velocidade permitida, causando a morte de outros dois jovens: Gilmar Yared,26 anos, e Carlos Murilo de Almeida,20 anos.

O acidente, noticiado nos principais veículos de comunicação, teve repercussão nacional. Pessoas do Brasil inteiro se manifestaram, nas páginas das principais revistas, portais de notícias, blogs, e até mesmo nas páginas do orkut. A mãe de Gilmar, Christiane Yared, em entrevista à revista Época (ed. 575, de 27/5/2009) disse que todos os dias pessoas entram em sua página do orkut e telefonam. Segundo ela, “numa igreja em Mato Grosso do Sul, os membros estão em jejum há 12 dias. Pedem por nós”.

No que diz respeito ao segundo caso, a morte de uma criança sempre causa comoção. Mas, em situações como a da menina Gabriela, a indignação é ainda maior. Ela estava em casa com a irmã gêmea e a babá e, após uma tentativa frustrada de assalto, foi atingida por um tiro certeiro e intencional.

Ambos os crimes abriram um debate a respeito da violência que aflige o Brasil hoje. Mais do que isso, sugere uma reflexão a respeito do comportamento violento das pessoas. Meu objetivo aqui não é comentar a respeito de ambos os casos, pois eles já foram noticiados nos principais veículos de comunicação do país. Nem mesmo me ater a estas discussões já em curso por estes veículos.

Pretendo sim, abrir uma discussão sobre outro aspecto. Para isso, talvez deixe de lado a Ana Paula Jornalista e assuma como Ana Paula pessoa.

Quando li a respeito destes dois crimes, fiquei imaginando o que se passaria na cabeça das pessoas envolvidas nestas situações.

Vamos refletir: Fernando Carli Filho é deputado. Logo, como pessoa pública, deveria se comportar de forma exemplar diante dos eleitores que o elegeram. Ao contrário, suas ações são totalmente reprováveis. Sua carteira de motorista estava suspensa há mais de um ano. Isso por causa de 30 multas, sendo 23 por excesso de velocidade. Na noite do acidente, ele estava embriagado e dirigia a 150km por hora. Os dois jovens que morreram, ao contrário, trafegavam a 30km por hora e respeitaram o cruzamento ao qual o deputado não respeitou.

Considerações importantes: em primeiro lugar, Carli Filho não deveria estar dirigindo, pois estava com a carteira suspensa. Segundo, não deveria estar dirigindo, pois estava embriagado. Terceiro, deveria respeitar as leis de trânsito e a preferência em cruzamentos, coisas que não fez.
Então pergunto: o que leva uma pessoa em sã consciência a pegar um carro mesmo sem carteira e dirigir em alta velocidade, causando a morte de pessoas inocentes? Como pode alguém se comportar com irresponsabilidade e imprudência e não ter nenhum peso na consciência? Qual a justificativa para acidentes como esse? “Acidentes acontecem”?

E no caso da morte de Gabriela? O que leva um adolescente de 17 anos a atirar em uma criança, que não esboçou nenhuma reação? Era necessário fazer aquilo? O que justifica aquela atitude?

O que eu quero refletir aqui é que as pessoas, os jovens, em especial, estão agindo por impulsos, sem medir as conseqüências de suas ações, sem pensar no outro, no quanto podem fazer mal a outras pessoas. As pessoas se esquecem dos princípios e valores básicos que deveriam nortear suas ações.

Mas...Será que é só esquecimento? Como eu posso esquecer que minha carteira está vencida, que gosto de beber (e muito!) e ainda assim não parar para pensar que assim, pegando meu carro nestas condições, eu posso provocar um acidente e causar a morte de outras pessoas? Ou então, como posso sequer apontar uma arma para outra pessoa e não pensar no sofrimento que vou causar a esta pessoa e seus familiares?

Será que as pessoas não estão, aos poucos, perdendo os valores éticos e morais? Será que as pessoas não estão deixando de ser pessoas para se tornarem monstros, cruéis e assassinos? E o que será que causa isso?

Várias vezes me peguei questionando e debatendo isso com um grande amigo, a caminho da faculdade. Juntos, ficamos pensando o que está acontecendo com este mundo. Porque aumentam os casos de violência no trânsito, assassinatos, crimes passionais e contra crianças.

Como jornalista, por mais que estude estes casos, não consigo entender o porquê. Talvez profissionais de outras áreas, como cientistas sociais e psicólogos, entre outros, estudem a respeito e saibam dar uma resposta, ainda que incerta.

O que eu acredito é que a sociedade precisa fazer algo para tentar entender o que está mudando, rever valores antigos e impedir que tragédias como estas continuem acontecendo.

Seja por falta de caráter ou qualquer outra coisa, as pessoas precisam começar a rever seus atos e os pais devem investir na educação de seus filhos, para que atitudes como esta não acabem se tornando normais. No fim das contas, normais serão as pessoas violentas e sem caráter, enquanto os anormais serão aqueles que ainda cultivam seus valores e princípios.

Por Ana Paula Fontana

Referência: Matéria “Fernando Carli Filho: trinta multas não bastaram”, disponível no site da Revista Época, http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI73068-15223,00-FERNANDO+CARLI+FILHO+TRINTA+MULTAS+NAO+BASTARAM.html ).

Matéria Menina de 8 anos é baleada em assalto em Rio Claro (SP), disponível no site g1, http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1161787-10406,00-MENINA+DE+ANOS+E+BALEADA+EM+ASSALTO+EM+RIO+CLARO+SP.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

Greve de motoristas e cobradores de Campinas prejudica população

Motoristas e cobradores permanecem em greve em Campinas nesta terça-feira(Foto: Estevam Scuoteguazza/AAN)



O bom de se ter um blog é a possibilidade de opinar a respeito de notícias e assuntos que nos causam algum tipo de reação. Hoje venho mostrar minha indignação com a greve de motoristas e cobradores do transporte público de Campinas.

Acho válida a iniciativa de se lutar por melhores salários e melhores condições de vida, mas essa "luta" deixa de ser válida quando passa a desrespeitar o outro. Já dizia aquela máxima: “os meus direitos terminam quando começam os do outro".

Concordo que os motoristas e cobradores estão no direito deles de pedir aumento salarial e outros benefícios, mas, quem lhes deu o direito de prejudicar outras pessoas por esse motivo?Sim, porque milhares de pessoas (segundo informação da mídia, 600 mil pessoas) ficaram sem ônibus para irem ao trabalho, médico, escola, faculdade, hospitais, entre outros lugares importantes. Quem deu a estes motoristas e cobradores o direito de fazer estas pessoas faltarem ao trabalho? Será que eles vão bancar os descontos na folha salarial que estas pessoas estão correndo o risco de ter? Ou será que depois eles, os motoristas e cobradores,vão pedir aos patrões que entendam as faltas, visto que os empregados não se ausentaram porque quiseram e sim por motivo da greve?Porque a greve é dos motoristas e cobradores mas quem está pagando por ela são os trabalhadores de outras áreas.

Para piorar a situação, li em algumas notícias que ônibus fretados estão sendo apedrejados pelos grevistas. Mais uma pergunta: quem deu o direito a estas pessoas de agir com tal vandalismo? Quem vai pagar pelos prejuízos? Os motoristas e cobradores? Fazer greve, tudo bem, é um direito e ainda dá para entender. Mas vandalismo, é um ato de ignorância.

Na empresa em que trabalho, mais da metade dos funcionários não está conseguindo chegar à empresa. Colocamos a disposição fretados para tentar minimizar os efeitos desta greve, mas ainda assim, é impossível atender toda a demanda. Desta forma, atendo ligações o dia todo de pessoas preocupadas em saber como chegarão ao trabalho, como retornarão e se suas faltas serão descontadas.Fora o trânsito, que está um caos, visto que aqueles que não podem utilizar os ônibus estão sendo obrigados a tirar seus carros das garagens.

Eu diretamente não estou sendo afetada por esta paralisação dos serviços,afinal, não utilizo o transporte público. Mas fico indignada pelas pessoas que estão. Trabalhadores estão querendo cumprir com suas rotinas e estão sendo impossibilitadas por esta greve.

Apoio os motoristas e cobradores na decisão de pedir aumento salarial, mas acredito que antes de tomarem qualquer atitude, deveriam ter pensado nas milhares de vidas que estão prejudicando com isso. Assim questiono: até onde essa greve é válida?Até onde ela se justifica? Justifica prejudicar milhares de pessoas pelo interesse de uma categoria? E se fosse o contrário? E se esses motoristas e cobradores dependessem de algum serviço que estivesse paralisado?

Acredito que este é o grande mal de nossa sociedade hoje: as pessoas tomam decisões sem pensar nos outros, no próximo. Pensam em sim mesmas, em seus interesses e esquecem que as demais também têm necessidades e direitos. Esquecem que o Respeito deve estar acima de tudo, mesmo quando decidimos lutar pelos nossos direitos.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: Foto:Estevam Scuoteguazza/AAN, retirada do Portal Cosmo On Line http://www.cosmo.com.br/noticia/28164/2009-05-12/onibus-continuam-parados-em-campinas-nesta-terca.html

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O papel do Jornalista no âmbito internacional


Refugiados tentam fugir dos bombardeios no Sri Lanka


Falando ainda na guerra civil no Sri Lanka, fico a pensar sobre o papel do jornalista no contexto mundial. As informações que encontramos a respeito da guerra não são oficiais, não podem ser corretamente apuradas, visto que os jornalistas são impedidos de entrar na área de conflito dominada pelos rebeldes. O que se têm são os relatos dos sobreviventes que chegam aos campos de refugiados. Mas até onde estas informações são reais e seguras?Até onde estes refugiados sabem realmente o que se passa e quantas pessoas estão sendo mortas e feridas? Na ânsia de fugir da guerra, muitos nem devem saber onde estão indo; apenas seguem o fluxo da multidão.

É nesse ambiente que se faz necessária a presença dos jornalistas. Eles são (ou pelo menos deveriam ser) os "olhos do mundo", que deveriam contar o que realmente acontece. Mas, contrariando o princípio básico do Jornalismo, a imparcialidade, isso nem sempre acontece.

Na verdade, a imparcialidade jornalística é um mito. Os jornalistas sempre escrevem baseados em suas visões de mundo, muitas vezes influenciados, inclusive, pelas empresas de comunicação em que trabalham. Sim, porque, antes de tudo, os veículos de comunicação também são empresas, e como tais, têm seus interesses e objetivos. E são estes que determinam a linha editorial que vai ser seguida, ainda que subjetivamente, pelos profissionais que nele trabalham.
Voltando ao assunto da guerra, penso que até o momento me baseei em informações que li na rede virtual. Mas, será que todas as informações divulgadas correspondem a verdade? Ou mostram apenas um lado do problema?

Faço esta questão levando em consideração um outro caso de guerra. O conflito que existe há décadas na região da Palestina. A grande mídia (entenda-se grandes redes de tv, jornais, agências internacionais, entre outras) está acostumada a mostrar sempre o lado de Israel,que apenas “revida” os ataques do lado palestino. Israel é colocado como “defensor do mundo contra o terrorismo”. Mas nunca fala-se nos ataques feitos pelos israelenses, quantos civis são mortos e como fica a situação dos sobreviventes.

Esse lado é apresentado na chamada “mídia alternativa”. Essa, por sua vez, acusa Israel de atacar mesmo em períodos de trégua, o cessar-fogo, “assassinar” mulheres, idosos e crianças, atingir alvos civis, como hospitais e escolas.Segundo matérias publicadas em vários veículos diferentes, os representantes da Palestina já teriam aceitado resolver o problema de forma diplomática, enquanto Israel teria optado pela continuação do conflito armado. Enfim, são duas versões conflitantes.

Não vou expressar aqui minha opinião a respeito, apesar de ser ela bem definida. O que eu quero é levantar a seguinte questão: porque os veículos de comunicação são imparciais quando tratam deste assunto? Porque não se coloca numa mesma matéria informações cedidas por ambos os lados? Porque a apuração não é feita corretamente?

Alguns jornalistas que leio com freqüência dizem que a grande mídia acompanha a versão “oficial”, a versão de Israel, porque este é apoiado pelos Estados Unidos. Seria essa uma boa justificativa, afinal, quem ousaria contrariar os “donos do mundo”? A mídia alternativa faz isso, mas o público-alvo desta é bem menor que a grande mídia.

Mas acredito que não seja só isso. A visão de mundo talvez seja mesmo ainda mais forte. Cada um tem seus próprios valores e opiniões. E isto influencia diretamente no trabalho jornalístico. Há profissionais que defendem enfaticamente cada uma destas posições.
Para ilustrar o que quero dizer, vou citar outro exemplo. Sempre gostei muito de ler textos sobre coisas que não entendo. Um dos vários assuntos a que já dediquei horas de leitura foi sobre o Holocausto. Diante de tantos dados, não há como negar a morte de mais de 6 milhões de judeus. Entretanto, há aqueles que tentar negar que ele aconteceu e, pior do que isso, há aqueles que defendem a posição de Hitler! Eu mesma conheci certa vez uma jornalista que defendia tal monstruosidade. E isso não porque ela não tinha acesso a textos que defendiam o outro lado, mas sim porque sua visão de mundo é diferente da grande maioria das pessoas. De nada adiantaria mostrar-lhe dados e provas de que milhões de pessoas morreram. Para ela, Hitler é um gênio que fez a coisa certa.

Seguindo aqui o princípio da imparcialidade, não quero colocar minha opinião a respeito dos fatos, mas abrir um debate a respeito de nossas visões de mundo. Como jornalista, eu preciso saber ouvir e respeitar a visão e opinião de todas as pessoas, mesmo que eu não concorde com elas. A partir de uma apuração bem feita, devo passar para meu público o máximo de informações que eu conseguir e ele sim deve tirar suas próprias conclusões e escolher de que lado quer se posicionar. Se eu construo um texto baseado apenas na minha visão, não dou a possibilidade de meu leitor refletir sobre o assunto e formar uma opinião crítica a respeito. E, infelizmente, isto é o que mais acontece. As pessoas só são informadas a respeito de uma única visão e não conseguem refletir e debater idéias e opiniões. Como diria a professora Isabela, a missão do jornalismo é “Informar para Formar” e não pura e simplesmente manipular... Que esse debate se estenda a todos os profissionais da área e que o Jornalismo possa ser uma importante arma de inclusão e debate social.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: portal G1

"Banho de sangue" no Sri Lanka precisa acabar

Refugiados chegam ao vilarejo de Putumatalan, no dia 22 de abril (Foto: Reuters)


Todos os dias costumo ler notícias na internet. Como trabalho, não sobra tempo para ler o jornal impresso.Ainda bem que existe a internet para me salvar...

Hoje gostaria de comentar uma notícia que me deixou chocada.

Já faz algum tempo que acompanho as notícias sobre a guerra civil no Sri Lanka...Há quem diga que este país é muito longe, e nada temos a ver com o que acontece por lá. Contudo, me perdoe a maioria das pessoas, mas não sou insensível a ponto de saber que existe um país onde milhares de inocentes, inclusive crianças, são vítimas de uma guerra sem fim. Por mais longe que seja, pessoas estão morrendo;milhares de pessoas. São vidas humanas que se perdem, e, mesmo de longe, não há como não ficar indignada.

Na matéria de hoje do portal G1 (http://www.g1.com.br/), o título da mesma me assustou: “Situação no norte do Sri Lanka é 'banho de sangue', diz ONU”. Segundo o texto, neste final de semana, pelo menos 378 civis morreram, sendo que mais de 100 eram crianças. Estas informações foram repassadas por um médico que atende a população, visto que os rebeldes que controlam a área não permitem a entrada de jornalistas nem de membros do governo. "A matança de civis em larga escala durante o final de semana, incluindo a morte de 100 crianças, mostra que o cenário de banho de sangue se transformou em realidade", é o que diz o porta-voz da ONU Gordon Weiss.

“Banho de sangue”.”Realidade”. Ao ler esta matéria, fiquei me perguntando se isto é mesmo realidade. Não consigo imaginar como seria me deparar com corpos espalhados pelas praias e estradas da região. Mais do que isso, fico pensando como teria sido os últimos minutos de vida destas pessoas. Será que foi uma morte sem sofrimento? Ou ficaram eles agoniando sem ajuda médica suficiente, já que mais de 50 mil pessoas estão isolados nesta área? E os que sobreviveram? Como será que foi ver este massacre acontecendo bem diante de seus olhos, imaginando que talvez pudessem ser os próximos?E para aqueles que perderam familiares e parentes? Qual não deve ter sido a dor de ver um ente querido estirado no chão ensangüentado (ou mutilado, decapitado, dado à força dos ataques)? E para as mães e pais, que perderam seus filhos ainda crianças, perdendo também a oportunidade de vê-los crescer e quem sabe um dia, viver em um país sem guerra e sem tantos sofrimentos?

Fico me questionando como podem existir pessoas, seres humanos, que insistem em fazer guerras, matam inocentes, principalmente crianças, sem que isso lhes cause qualquer tipo de arrependimento ou peso na consciência. Estas pessoas, a meu ver, não esboçam qualquer tipo de sentimento, não pensam naqueles que estão morrendo sem nada ter a ver com esta maldita guerra. Para mim, não são seres humanos. São monstros que se parecem muito com humanos, mas não o são. Pois,se somos todos da mesma espécie, como é possível então se achar no direito de tirar vidas, causar sofrimentos e dor?

Tudo bem. Este é um pensamento meu. Sei que existem pessoas no mundo inteiro que não se importam com isso, de forma que a religião, etnia, cultura, entre outras questões valem muito mais do que esse simples princípio.Qualquer motivo é motivo para se fazer guerra. O que não percebemos é que a guerra é detonada pelos detentores do poder, enquanto os que lutam no front de guerra e os que morrem nada têm a ver com ela.


Tudo o que se lê a respeito do Sri Lanka deve ser mesmo realidade. Mas uma realidade muito distante.A maioria das pessoas nem devem saber o que está se passando por lá. Eu, como jornalista, gosto de me informar a respeito de tudo, e, como uma pessoa hipersensível, acabo por me indignando. Mas não consigo não me sentir afetada.Não consigo ficar simplesmente alienada Se todas as pessoas do mundo se preocupassem, se todos os olhos se voltassem para lá, talvez pudéssemos fazer pressão para que situações como estas não se repetissem.


O problema da guerra no Sri Lanka não deve ser apenas dos moradores daquele país. Mas sim de toda a população mundial. Seres humanos estão perdendo suas vidas e isso não é um problema isolado. Há que se achar uma maneira de acabar com isto. Que as autoridades e os órgãos responsáveis pela ordem mundial interfiram e acabem de uma vez por toda com este “banho de sangue”.


Para quem quiser mais informações a respeito da Guerra Civil no Sri Lanka, o portal G1 traz várias matérias a respeito. O endereço é www.g1.com.br
Por Ana Paula Fontana
Imagem: portal G1

sábado, 9 de maio de 2009

Crônica - Era uma vez uma cidade sem história...


Campinas possui história riquíssima.São 274 anos marcados por épocas de evolução e progresso, alternadas com retrocessos. Começou como um pouso de tropeiros no “Caminho dos Goiases”. Tornou-se uma cidade nacionalmente importante através da cultura de cana-de-açúcar e café.

Devastada pela epidemia de febre amarela, como a Fênix que aparece em sua bandeira, reergueu-se e voltou a sentir as glórias do progresso, tornando-se um grande pólo tecnológico, referência nacional e internacional na produção de conhecimento e tecnologia.

Como marcas desta brilhante história, ficaram os prédios antigos, bustos e monumentos de pessoas e acontecimentos que jamais deveriam ser esquecidos. Porem, outra marca que Campinas traz ao longo dos seus 274 anos, é o de não saber respeitar e conservar os traços de seu passado.

Ao longo dos anos, Campinas deixou que sua história fosse pouco a pouco esquecida. A primeira capela, os grandes casarões, as praças e bosques, tudo foi sendo demolido, destruído. O progresso foi chegando e levando tudo que encontrava pela frente. As ruas e avenidas, passagens obrigatórias dos automóveis, transformaram as praças e áreas de lazer.

A “casa das Andorinhas”, o velho mercado das Hortaliças, foi demolida, e despejou para sempre seus ilustres habitantes. O Largo do Rosário deixou de ser um bosque para se tornar um grande calçadão. Antes disso, foi sede de um dos mais importantes templos religiosos da cidade, bem como local de origem do mais imponente monumento que Campinas já teve, o de Campos Sales. A Igreja foi demolida e o monumento transferido.
O Teatro São Carlos também foi demolido, mas, por uma boa causa: dar lugar a um novo teatro, o Carlos Gomes, maior e com mais acomodações. Este teve o mesmo fim, porém, trágico e sem justificativa. Foi substituído pelo progresso, pelo comércio.

O progresso também engoliu uma linda praça. Os cisnes também foram despejados e o lago deu lugar ao concreto. A beleza foi trocada pela desordem, pelo caos, pela paisagem cinzenta de ônibus e cacarecos. Onde hoje se vê desordem e poluição, já foi cenário de lazer e paz.

Mas, além de destruir toda a beleza de seu passado, Campinas faz questão de apagar todos os traços, para que as novas gerações não se reprimam, por não ter tido a oportunidade de conhecer o que foi destruído. Quase não se encontram registros destas belezas de outrora. Nem mesmo nas fontes que deveriam ser oficiais: bibliotecas, centros de memória, universidades. O pouco que se tem está restrito a poucos. Poucos livros, poucos arquivos. A população desconhece sua própria história.

Das andorinhas, pouco se fala. Do teatro e sua morte, testemunhos de poucos que freqüentavam-no e reconheciam seu valor. Da praça, quase ninguém se lembra, e quem não lembra, nem sabe que um dia existiu. Alias, é impossível acreditar que existiu, tendo em vista a paisagem de hoje em seu lugar.

E os monumentos? O que falar deles? Muitos nem ao menos sabem o que são. O que é um monumento? Um busto? Uma herma? E quem são estas pessoas? Porque foram importantes? Para muitos, eles são apenas bancos, encostos, depósito de lixo, empecilho ao progresso e a visão.

Uma cidade que desconhece seu passado não valoriza sua historia. Campinas traz as marcas do progresso. E junto consigo as tristes marcas do descaso e desrespeito. Muitos batem no peito e bradam que amam sua cidade. Mas são poucos o que realmente conhecem a “cidade das andorinhas”, a “princesa do oeste”, a “cidade fênix”.


Por Ana Paula Fontana
Imagem: Ana Paula Fontana

Um descaso com a história



Monumento a César Bierrembach pixado: falta de respeito à memória da cidade.










Monumentos e bustos em Campinas são alvos de vandalismo e abandono da Prefeitura

Ilustres figuras políticas e artísticas de Campinas, bem como acontecimentos e fatos marcantes de sua história, são ignorados e até despeitados pela própria Prefeitura e população da cidade. Monumentos, bustos, hermas e placas históricas situados nas praças e avenidas de Campinas não recebem manutenção do poder publico e são constantemente alvo de vândalos que desconhecem a rica trajetória da “princesa do oeste”.

Não é preciso andar muito para perceber que a maioria dos monumentos e bustos do chamado “centro histórico” de Campinas estão pichados, quebrados, servindo de deposito de lixo e ate mesmo de local de descanso na rotina corrida do campineiro. Muitos nem ao menos sabem quem são os personagens ou acontecimentos representados. O que vale é ter um local para sentar ou deixar aquele lixo incômodo. Para os transgressores, em sua maioria adolescentes, os monumentos e pedestais de bustos são lugares ideais para deixarem suas marcas.

Segundo Deise Ribeiro, Coordenadora da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), Campinas não possui uma política de conscientização da população a respeito de seus bens culturais. Assim, uma população que não conhece sua historia, não toma para si à responsabilidade de preservar o que é de todos. Para tanto, seria necessário um trabalho longo e continuo de conscientização da população, desenvolvido em parceria entre as Secretarias de Cultura e Educação, ate que os moradores se apropriassem do patrimônio histórico e cultural da cidade, preservando e valorizando-o.

Deise explica que a responsabilidade pela limpeza dos monumentos e bustos é do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), ligado à Secretaria de Infra-Estrutura. Entretanto, a segurança dos bens históricos deveria ser feita conjuntamente com a polícia, que deveria estar mais presente aos locais onde eles se encontram. Uma melhor iluminação dos monumentos e bustos seria necessária, já que é a noite que a maioria dos casos de vandalismo costuma acontecer.

De acordo com Deise, depois que as obras são pichadas, pouco se pode fazer para recuperá-las. A tinta spray adere ao monumento e dificilmente é tirada pelas técnicas usuais de limpeza. “Há certo tipo de produto que retira a tinta usada pelos pichadores, mas ela acaba por corroer o material do monumento, geralmente nobre, como o bronze, o que acaba por prejudicá-lo ainda mais”. Um outro produto citado por ela, pode ser usado para não permitir que a tinta spray se fixe nos materiais, mas este é caríssimo e sua aplicação só poderia ser feita a longo prazo, devido os altos custos de compra e contratação de um especialista na aplicação.

Já quando os monumentos e bustos são quebrados ou tem alguma peça furtada (como já aconteceu com uma das quatro liras do monumento a Carlos Gomes, ou a perna do menino do monumento a Dom Nery), a manutenção e recuperação do mesmo dependem de verba da Prefeitura para ser realizada, o que pode demorar meses e até anos.

A falta de verbas, aliás, é outro problema enfrentado na preservação do patrimônio cultural de Campinas. Campanhas de conservação e de manutenção dos bens históricos não são prioridades dos governantes, o que faz com muitos continuem depredados e pichados por longo tempo. “Existe mais discurso sobre a valorização da história e da cultura do que ações”, diz ela. O CONDEPACC está em negociação para liberação de uma verba para manutenção dos 17 monumentos tombados, mas não há previsão de quando isso acontecerá.

Enquanto isso, os monumentos aguardam por reparação, como é o caso do busto de Thomaz Alves, que faz parte de um monumento situado na Praça Carlos Gomes. Alvo de vândalos que tiraram a “cabeça” do monumento, ele aguarda por reparos, estando hoje no deposito do DPJ. Quando isso ocorre, as ações de recuperação são realizadas pela Secretaria de Infra-estrutura, supervisionada diretamente pela CSPC e CONDEPACC. Deise ainda explica que, quando um monumento é tombado pelo CONDEPACC, a supervisão sobre as condições deste é feita com maior regularidade, o que pode facilitar o processo de conservação; o mesmo não ocorre com os bens não tombados. A Prefeitura não possui um mapeamento de monumentos e bens históricos, o que é um erro grave. A única documentação disponível é a que encontra-se no Centro de Documentação do Patrimônio Cultural Maria Luiza Silvania Pinto de Moura, ligado a CSPC, mas limitada aos bens tombados.

Por Ana Paula Fontana
Imagens: Ana Paula Fontana

Coluna do Leitor...

Quando postei a matéria da Sia no meu blog antigo, recebi um comentário muito especial a respeito desta matéria....Tão bacana que não poderia deixar de postá-la aqui..Até como uma homenagem a esta pessoa tão especial para mim.

Assim, com vocês, Josué Galinari. Galã e grande artista.

"Olá, meu nome é Josué Galinari e durante 2 anos fiz parte do elenco da Sia Santa.Bom, falar sobre Sia Santa é um grande prazer, pois além de colegas de trabalho essa galera passou a ser minha segunda família durante esse período de trabalhos prestados à companhia.Assim que cheguei, me deparei com outro estilo de companhia de teatro, porquê na Sia Santa todos são 'SÓCIOS',sendo assim, além de ser ator da companhia eu também aprendi a ser: Produtor, Fazer adereços cênicos, Vender espetáculos, ou seja, quando se entra na companhia, o profissional tráz consigo uma visão de teatro e do meio artístico e, quando sai da companhia essa visão é completamente diferente, você aprende na prática o que nenhuma escola de teatro pode ensinar na teoria. Além do mais, é a única companhia de teatro do Brasil que oferece "MORADIA" e "ALIMENTAÇÃO" aos seus profissionais, sem contar que o clima de trabalho é muito agradável.Só tenho a agradecer aos diretores Crispim e Jorge pela oportunidade e pelo carinho com que fui tratado, foi sem dúvida uma grande experiência que somou muito para o meu cerscimento pessoal e profissional".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sia Santa: marca registrada de sucesso

O diretor e um dos fundadores da Sia Santa, Crispim Júnior, na sede da companhia.


O nome Sia Santa vem de “Cia Santa”, Sociedade de Aperfeiçoamento de Nacionais de Teatro e Arte (S.A.N.T.A.) sugestão de Jorge Fantini, também idealizador e diretor da mesma. Depois de varias votações para escolha do titulo da recém-fundada companhia, Fantini “venceu” Crispim Junior, seu sócio, mas este ainda conseguiu mudar o “Cia” para “Sia”, para gerar curiosidade no publico em geral e, assim fazer com que as pessoas gravassem melhor o nome.Com isso, desde 1973, “Sia Santa” tornou-se marca registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

De acordo com Crispim, a companhia surgiu no Teatro do SESC em Campinas, já que ainda não havia a sede própria. No início, as apresentações também eram bem diferentes: ”Em 1974 nós chegamos a ganhar um prêmio do Correio Popular como “o grupo mais ativo da cidade” com 12 apresentações no ano. Hoje fazemos isso em uma semana”, relembra o diretor, que tem uma agenda cheia de apresentações em Campinas e região.

Teatro Escola Sia Santa
Rua Sebastião Paulino dos Santos, 20 Pq. Santa Bárbara - CEP 13064-000- Campinas, SP Fone: (19) 3281-3174 siasanta@siasanta.art.br Espetáculos Sia Santa Teatro Infantil Meu Pequeno Príncipe Pinóquio A Bela Adormecida
O Gato de Botas
O Coelho Engenheiro
No Reino Mágico de Oz
Pedro e o Lobo

Teatro Adulto
Aniversário de Casamento
Teatro Empresarial
Rádio PrevençãoCorpo e Ação Entre o Céu e o Inferno Performances Temáticas

Por Ana Paula Fontana
Imagem: arquivo pessoal Crispim Junior

Sia Santa: 35 anos fazendo arte

Atores da Sia Santa em ação no Hotel Royal Palm Plaza Campinas












Pouco conhecida pela população de Campinas, companhia é respeitada no cenário nacional.


A companhia de Teatro Sia Santa, de Campinas, celebrou em 2008 35 anos de existência. Nesse período, já produziu mais de 80 espetáculos, apresentando-se para crianças e adultos em escolas, empresas, hotéis, clubes, entre outros locais, por todos os estados do país e também no exterior. É uma das poucas companhias de teatro do Brasil a completar tantos anos de história, ao mesmo tempo em que conquista sucesso de público e diversas premiações.

Fundada em 10 de junho de 1973, por Crispim Junior e Jorge Fantini, a proposta era criar a primeira companhia profissional de teatro da cidade. Hoje é referência em teatro infantil e empresarial, contando com infra-estrutura própria, como o teatro, situado no bairro Santa Bárbara, em Campinas, além de veículos e equipamentos próprios.

Segundo Crispim Júnior, hoje diretor ao lado de Jorge, já passaram pela Sia Santa nestes 35 anos cerca de 2 mil profissionais, entre artistas e técnicos. Atualmente, o quadro social é de 30 profissionais. No repertório, conta com 12 espetáculos, sendo sete de teatro infantil, três de teatro empresarial, um de teatro juvenil-adulto, um de teatro educacional, além de performances temáticas e produtos sob medida. Isso é possível através de convênios com empresas e instituições, como a EPTV, com quem desenvolveu o projeto de teledramaturgia da minissérie “O Combate da Venda Grande” e o hotel Royal Palm Plaza, onde realiza teatros e eventos temáticos.
“Ao longo de 35 anos formando platéias, a Sia Santa se orgulha de levar e elevar o nome de Campinas para quase todo o território nacional e também alguns países da América do Sul, como Colômbia, Equador, Peru, Argentina e Paraguai”, afirma Crispim, sobre trabalhos feitos pelo grupo também no exterior. Além disso, a Sia Santa participou ainda de intercâmbios culturais com companhias e escolas teatrais dos Estados Unidos, Portugal e Itália.No vasto currículo, contam ainda premiações como, Troféu Imprensa, Prêmio APTC, Prêmio APCA , Prêmio Mambembe, Aluízio Magalhães, entre outras.

Crispim lembra ainda que nestes 35 anos, grandes atores, hoje famosos e reconhecidos, passaram ou iniciaram suas carreiras na companhia, como “Rita Guedes, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Carlos Augusto Strazzer, Roberto Lage, Antonio Abujamra, Jorge Dória, George Otto, Zezé Fassina, entre tantos outros”, lista ele. Para quem se interessar em fazer parte da respeitada companhia, basta entra em contato pelo site ou telefone e agendar uma entrevista.O material apresentado pelo candidato é analisado por todos os artistas e ficará no banco de talentos da Sia Santa.Se aprovado, o ator ou atriz passará a fazer parte do corpo da companhia, tornando-se um sócio, já que é uma associação cultural sem finalidade econômica e sem vínculo empregatício, mediante termo de adesão voluntária, nos termos da Lei 9.608/98.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: Ana Paula Fontana

Barão Geraldo: uma imagem desfocada da desigualdade social.


Vista aérea da Unicamp e Ribeirão das Pedras no Real Parque: contraste entre centro acadêmico e esgoto a céu aberto



As conflitantes realidades dos condomínios de luxos e as submoradias.

Barão Geraldo é um dos quatro distritos da cidade de Campinas. Considerado privilegiado por possuir duas universidades, um pólo tecnológico reconhecido nacionalmente, além de uma grande variedade de indústrias e empresas prestadoras de serviços, é ainda lembrado como um centro de concentração de intelectuais e pessoas de cultura elevada. Porém, esta “fama” de Barão Geraldo não condiz totalmente com a realidade, já que grande parte da população do distrito não se “enquadra” na imagem amplamente divulgada, seja pela mídia, seja pelos moradores mais abastados.

Segundo Márcia Beatriz Muller, 53, enfermeira e moradora do Jardim Independência há 12 anos, essa “fama” é totalmente desatualizada, já que “a grande maioria da população não é universitária, nem intelectual e nem tão culta”. O que se vê na realidade é uma grande desigualdade social, com a maior parte dos moradores universitários e de renda elevada concentrados principalmente nas “áreas nobres”, como os bairros Cidade Universitária, Parque das Universidades, Centro, Novo Barão Geraldo, Tijuco das Telhas e os diversos condomínios de luxo, como Barão do Café e Rio das Pedras entre outros, em contraponto a bairros como Real Parque, Village Campinas, Vila Holândia e Piracambaia, que sofrem ainda hoje com problemas como submoradias, falta de asfalto e saneamento básico, falta de transporte coletivo e difícil acesso aos órgãos públicos e serviços de saúde.

De acordo com ela, é essa maioria “que paga o preço da fama, com altos preços de aluguel, alimentação e outros problemas que esse pólo causa”. É essa também a opinião de Antonia Agnelo Inácio, 35, moradora do bairro Village Campinas há 31 anos. ”Há em Barão favelas,submoradias, exploração de menores, dependentes químicos e outros descasos” que não correspondem à imagem de distrito economicamente privilegiado. De acordo com outra moradora antiga de Barão, Elizabeth Ribeiro Andreothi, 48, que vive no distrito há 31 anos, essa imagem é negativa para a população, “pois todos acham que o distrito é rico e não necessita de ações e investimentos da prefeitura nas áreas de saúde e habitação. Com isso, outros bairros são sempre priorizados e Barão perde muito em melhorias”.

Os jovens que nasceram no distrito também discordam da falsa imagem de “economicamente privilegiado”. Segundo o estudante universitário Diego Rafael de Barros, 20, “há de um lado os condomínios de luxo, do outro favelas e bairros pobres”. Esse contraste citado por ele pode ser observado entre as belas casas e mansões dos bairros e condomínios nobres e as condições de moradias encontradas nos bairros mais afastados do centro. São casas à beira de córrego com esgoto a céu aberto, como no bairro Real Parque; ou casas pequenas, de 2 ou 3 cômodos abrigando famílias numerosas,como na Vila Holândia e Piracambaia, ou ainda moradias “improvisadas”, espaços antes utilizados para outros fins.

É esse o caso de Matilde Jesus dos Santos, que mora com o marido, dois filhos, a mãe e mais 4 irmãos em uma das seis antigas baias do Haras Passatempo, no bairro Guará.Segundo ela, enquanto o haras estava em funcionamento, os cavalos do centro hípico eram guardados nestas baias.Com o fechamento do local, o dono transformou-as em habitações, cobrando um aluguel de R$200,00 mensais.Sua casa é um barracão, sem divisões de cômodos e com um pequeno banheiro.Possui uma única janela e a iluminação e ventilação não é eficiente.Analfabeta, Matilde não sabe nem ao menos dizer a própria idade, nem o tempo que mora nesta “casa”.Não trabalha, não sabe dizer qual a renda mensal da família e afirma nunca ter recebido ajuda de órgãos públicos ou mesmo ONGs.Diz que nunca sai de casa, a não ser para ir ao Centro de saúde, onde faz acompanhamento do pré-natal e dos filhos mais novos.Diz não conhecer bem Barão Geraldo e não sabe responder o que há de melhor e pior no distrito. Além de Matilde, outras famílias vivem em situações semelhantes nos bairros Guará e Village Campinas.

Alem da situação econômica, a situação cultural também não condiz com a realidade. A grande maioria dos moradores fixos de Barão Geraldo não faz parte da chamada “elite intelectual”, composta por uma pequena parcela da população, formada pelos professores e alunos da Unicamp e Puccamp. Muitos jovens e adultos nem chegam a concluir o ensino médio. Na família da agente de saúde Kelly Fernanda Carvalho, 26, por exemplo, a maioria dos jovens com idade entre 14 e 28 anos parou de estudar na 8ª série.Para ela, “os jovens de Barão têm que concorrer com estudantes do Brasil inteiro que sempre estudaram em escolas particulares e que de certa forma nunca precisaram trabalhar”.”No colégio público, o ensino é deficiente e o jovem não consegue ter acesso à Unicamp”, afirma Diego.Ou seja, morando tão perto da universidade, os jovens de Barão precisam sair do distrito para cursarem universidades particulares em outros bairros de Campinas.

Por Ana Paula Fontana

Imagens: Foto Aérea da Unicamp: Antoninho Perri – Ascon- Unicamp, retirado do site http://www.ic.unicamp.br/sbcars2007/

Ribeirão das Pedras, no Real Parque: Ricardo S. Dagnino, retirado do site http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribeir%C3%A3o_das_Pedras_-_Real_Parque.jpg

PIB e renda per Capita escondem realidade


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Barão Geraldo conta oficialmente com 45 mil habitantes. Segundo dados não-oficiais da Subprefeitura de Barão Geraldo são 65 mil. Soma-se a isso uma população flutuante de mais de 20 mil pessoas, que são os estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp), e da Pontifícia Universidade Católica (Puccamp) situadas no distrito, além de trabalhadores que se deslocam todos os dias de outros bairros de Campinas e até mesmo de cidades da região.

Com cerca de 72 bairros,a renda per capita dos moradores é de 15,1 salários mínimos, cerca de R$6.266,00, e o Produto Interno Bruto (PIB) de R$2,7 bilhões ao ano, o que corresponde 12% ao PIB da cidade e é superior ao de cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC), como Vinhedo, Valinhos, Itatiba, Nova Odessa, Monte Mor, Cosmópolis, Pedreira, Holambra, Artur Nogueira, Santo Antonio da Posse e Engenheiro Coelho.


Alem das universidades, possui em seus 192 km² em torno de 18 indústrias, 360 comércios, 192 empresas prestadoras de serviço, alem de 10 agências bancárias. Na área de Barão Geraldo está concentrado o II Pólo Tecnológico de Campinas, onde situam-se empresas reconhecidas nacionalmente, como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e o Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS).Na área da saúde, conta com estabelecimentos de referencia nacional: o Hospital das Clínicas da Unicamp, referência nacional em atendimentos especializados e de alta complexidade; Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro); Centro de Atenção Integral à Saúde (CAISM) e o Centro Infantil Boldrini, referencia mundial em tratamento de câncer infantil e doenças do sangue.


Imagem:imagem de satélite, retirado do site http://www.prg.unicamp.br/moradia/localizacao.html

Desigualdade Social no Brasil



Segundo dados do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a distribuição de renda no Brasil é uma das mais desiguais do mundo. Enquanto 46,7% da renda nacional está concentrada nas mãos de 10% da população, 9% do povo brasileiro vive com menos de US$1 por dia. A renda média anual dos 10% mais ricos do país gira em torno de UR$ 37.534 , enquanto a renda dos 10% mais pobres é de apenas UR$ 656.Para cada dólar que os 10% mais pobres do Brasil recebem, os 10% mais ricos recebem UR$ 68.


No índice de Gini (levantamento que avalia a desigualdade de renda), o Brasil tem índice próximo de 0.6, considerado de desigualdade extrema e rara, já que apenas poucos países possuem índice superior a 0,5. No ranking dos países mais desiguais do mundo,num total de 127 países, o Brasil ocupa a 8 ª colocação, superando todos os países da América Latina e perdendo apenas para 7 países africanos: Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.


Contudo, de acordo com o mesmo relatório da ONU, a situação do Brasil começou a melhorar, ainda que de forma lenta. No período de 2007/2008, o país entrou pela primeira vez para o grupo de países com elevado desenvolvimento humano, com índice de 0.800 em 2005.Ainda assim, está na 70ª colocação.Em 2004, a taxa de renda per capita da população mais pobre subiu 14,1%, enquanto da população mais rica subiu apenas 3,6%.Isso deve-se,segundo alguns economistas e técnicos do Banco Central, aos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.



Por Ana Paula Fontana

Imagens: retiradas dos sites http://holisticenergetics.com/alquimia/index.html e http://www.pontoblogue.com/2008/12/socialismo-la-como-ca.html?showComment=1229804820000 (sem especificar autores das fotos)

Jovem é exemplo de dedicação e comprometimento no trabalho voluntário

Glauber Augusto Rodrigues, de 21 anos, profissional de T.I. e estudante universitário é um verdadeiro exemplo a ser seguido por sua geração,preocupada com problemas sociais, mas que quase nada faz para resolver estes problemas.

Glauber é voluntário do Instituto Ingo Hoffmann,entidade que abriga crianças de todo país que vêm a Campinas para tratamento no Centro Boldrini. Ele é um dos cinco voluntários que revezam entre si , uma noite por semana, para dormirem no instituto, e assim ajudar as famílias em casos de emergência, já que os funcionários do instituto tem seu período de trabalho durante o dia.

Nesta entrevista concedida por e-mail, Glauber conta, entre outros assuntos, como conheceu e começou seu trabalho no Instituto Ingo Hoffmann, sua relação com as crianças, à importância do trabalho voluntário, inclusive na sua vida e ainda, e deixa um recado para outros jovens que queiram, como ele, fazer o bem sem esperar nada em troca.

1) Como você conheceu o Instituto Ingo Hofmmann?
Bom, eu conheci o Instituto a partir de quando precisei ficar lá para tratamento. Eles cederam um chalé, onde fiquei por quase dois meses.

2) Como e quando você se interessou por trabalho voluntário e começou no instituto?
Depois que terminei o tratamento, procurei a Regina para falar do meu interesse em fazer um trabalho voluntário, e depois de uma semana que havia falado com Regina já comecei o voluntariado, que faz quase um ano.

3) Como é o trabalho que você realiza no instituto?(o que exatamente você e faz?). Meu trabalho no Instituto é levar as crianças no boldrini, ir à farmácia, atender aos visitantes quando chegam à noite, pois meu trabalho é à noite. E também atender aos telefones. Em geral um pouco de tudo.

4) Qual a importância que você da para o trabalho voluntariado na sua vida?
O trabalho de voluntário é muito importante em minha vida, porque aprendi como a vida pode transformar. Ver aquelas crianças, querendo viver e terem limites, querendo se divertir e não poderem. E saber que reclamamos de tão pouco e que eles sorriem por qualquer coisa, porque eles dão valor na vida. E nas simples coisas que a vida pode oferecer.

5) Como você avalia esse trabalho no seu dia-a-dia?O que mudou ou o que esse trabalho acrescentou na sua vida?(pessoal, profissionalmente, na sua personalidade...).
Pra mim não é um trabalho, mas sim uma conquista que tenho na minha vida. Acrescentou muito na minha vida ser voluntário, aprendi muito em poder ajudar a quem precisa, minha vida mudou totalmente, pois agora tenho vários amigos verdadeiros, que são na verdade anjos que entraram em minha vida. E profissionalmente e na personalidade, isso se torna automático, porque tudo melhora, a gente se torna seres humanos de verdade.

6) você lida diretamente com as crianças do instituto?Como é sua relação com elas?
Minha relação com as crianças é direta, tenho contato com eles sempre. Procuro sempre saber delas, se estão bem ou se estão internadas. Minha relação com as crianças é excelente, eles gostam muito de mim, e eu amo aquelas crianças.

7) você sente algum tipo de dificuldade em realizar seu trabalho?(tipo indisponibilidade de horário, dificuldade em lidar com crianças, dificuldade em lidar com certas situações...?).
Não tenho nenhuma dificuldade, apenas temos que ser natural nas atitudes, fazer com o coração, e na questão de horários, sou voluntário na hora em que tenho maior disponibilidade, para poder estar com eles. Não encontro nenhum problema em estar no Instituto.

8) Trabalhar com crianças geralmente acarreta em apego sentimental, envolvimento pessoal e emocional com elas; crianças principalmente se apegam muito a pessoas que lidam com elas. Como você lida com isso?
Realmente a gente se apega muito as crianças, temos que ser fortes, porque há momentos tristes em que infelizmente temos alguma perca. Onde eu falo que é a hora que o anjo volta pra casa. Peço todos os dias a DEUS que ele possa olhar pelas aquelas crianças e famí­lias que se encontram no INSTITUTO. Mas isso faz parte da vida, temos que aprender com isso também e confiar na misericórdia de nosso Pai eterno.

9) Como você lida com situações como internação, alta e até mesmo óbito de crianças do instituto?
Esses são momentos difíceis, em que temos que nos controlar emocionalmente para confortar as famílias nesse momento tão difí­cil, mas quando estou sozinho, realmente não é fá­cil não expressar a dor que sentimos quando perdemos uma criança. Nas internações, sempre procuro ir visitar elas no boldrini, para poder ajudar em alguma coisa.

10) você toma algum tipo de cuidado quanto a esse envolvimento, principalmente para preservar sua própria saúde? No sentido de não sofrer tanto com a perda ou distancia (no caso de alta, ex)?
O que eu procuro fazer quando eles têm alta ou quando eles não estão mais no Instituto, sempre procurar saber a respeito da criança, se esta bem, mas temos que nos controlar para superar qualquer coisa que venha ocorrer, apesar de ser difícil de controlar às vezes.

11) O que mais você pode dizer sobre o trabalho voluntário?
O que mais posso dizer é que estou muito feliz em fazer parte do INSTITUTO, e que aprendi muito com o trabalho voluntário. Ajudar, fazer e acontecer, é isso que é importante, não ajudar só por ajudar, mas sim ajudar pra ver aquelas crianças mais felizes, e é isso o que importa.

12) Qual recado você deixaria para jovens que desejam começar a desenvolver trabalho voluntário?
Meu recado é que devemos sempre ajudar a quem precisa, não pense que você vai perder alguma coisa, mas sim vai ganhar. Nós jovens, temos o espí­rito de vitória e de conquistas, então conquiste essa vitória em sua vida, seja um voluntário, será o maior presente que você poderá ganhar. Ver o sorriso de uma criança no rosto quando você chega, não tem preço, isso é muito gratificante. Que todos possam ajudar, coloque uma frase em sua vida. Seja VOLUNTARIO Já!

Por Ana Paula Fontana
Imagem: retirada do site http://www.ingohoffmann.org.br

Regina Barsotti defende Trabalho Voluntário comprometido


Muitas são as pessoas que dizem ter interesse em desenvolver algum tipo de trabalho voluntário.Porém, assim como acontece em muitas entidades e ONGs, nem todos os voluntários assumem realmente um compromisso e assim, com o passar dos tempos, acabam desistindo e abandonando algo que poderia ajudar e muito a quem precisa. Coordenadora do Instituto Ingo Hoffmann, em Barão Geraldo, Regina Barsotti defende um trabalho voluntário comprometido e regular. Segundo ela, várias pessoas aparecem no instituto a fim de desenvolver alguma ação voluntária, mas depois de algumas vezes, elas simplesmente “somem”.”Falta senso de responsabilidade para os voluntários.Falta compromisso”.

O problema deste tipo de atitude é que, principalmente as crianças, se apegam demais e acabam por sentir falta e saudade destas pessoas. Como nos diz Regina, “as crianças ficam questionando, perguntando quando é que os voluntários vêm”.Os pais também acabam prejudicados, pois eles também querem um “ombro” para chorar e desabafar suas dores e angustias.”O segredo do voluntário é não esperar reconhecimento; é se doar sem esperar nada em troca”,completa ela.
Ainda assim, há exemplos de voluntários que assumem um compromisso sério com o instituto e, motivados pela satisfação em estar com aquelas crianças, não deixam de cumprir com seus “deveres”. É o caso do jovem Glauber Augusto Rodrigues,de 21 anos, profissional de T.I. Ele é um dos cinco voluntários que se revezam para fazer o plantão da noite,ou seja, passam uma noite por semana no instituto, para, no caso de alguma emergência, levar as crianças às pressas para o Centro Boldrini. Segundo Roberta Aparecida Carneiro, assistente administrativa do instituto, “estes voluntários são super comprometidos e nunca faltam nas noites de plantão.Quando isto é necessário, sempre avisam com antecedência para fazerem troca e o plantão não ficar descoberto”,completa ela.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: retirada do site http://www.ingohoffmann.org.br

Lenda da Stock Car realiza sonho ajudando crianças...


Ingo Hoffmann na Brinquedoteca do Instituto que leva seu nome

Considerado um dos maiores ídolos do automobilismo brasileiro, o piloto Ingo Hoffmann fundou, em 31 de agosto de 2005, o instituto que leva seu nome, com o objetivo de colaborar com ações sociais a longo prazo.

Segundo Regina Barsotti, amiga pessoal do piloto e coordenadora do instituto, a idéia surgiu há quatro anos,quando Ingo participou do Rally dos Sertões.Ele organizou uma ação que arrecadou 10 toneladas de alimentos, distribuídas às famílias por onde os corredores passavam.Ao final do Rally, Ingo sagrou-se vice-campeão da competição mas percebeu que a ação resolvia o problema destas famílias temporariamente. Surgiu então a idéia de montar uma instituição que resolvesse o problema em longo prazo.

Convidada pelo amigo a partilhar deste sonho, Regina conta que passou três meses estudando instituições,focando os objetivos do instituto: saúde e crianças. Ao pesquisar sobre o Boldrini, Regina descobriu que a Dra. Silvia Brandalise possuía um projeto de “moradia temporária” que casava perfeitamente com o projeto do Instituto Ingo Hoffmann. Desta parceria nasceu a “Casa de Apoio à Criança e à Família”. Assim,o Boldrini cedeu ao Instituto Ingo Hoffmann uma área de 6000m² ao lado do Centro de Radioterapia, onde foram construídos pelo instituto 30 chalés que abrigam as famílias atendidas no hospital. Estes chalés foram inaugurados em outubro de 2006,recebendo as primeiras famílias em abril de 2007.Ate novembro do mesmo ano,o instituto já havia atendido 120 famílias.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: retirada do site http://stockcar.globo.com/index.php/2009/04/14/instituto-ingo-hoffmann/

Instituto Ingo Hoffmann oferece “moradia temporária” a pacientes do Boldrini

O Instituto Ingo Hoffmann, localizado em Barão Geraldo, é uma entidade sem fins lucrativos, que proporciona moradia a crianças de todo o Brasil que vem a Campinas realizar tratamento no Boldrini,referencia na América Latina em tratamento ao câncer e doenças do sangue.

Situado a apenas uma quadra do hospital, o Instituto, fundado em 31 de agosto de 2005, inaugurou em abril de 2007 o projeto “Casa de Apoio à Criança e à Família”. Seu objetivo é oferecer abrigo às crianças e suas famílias durante o tratamento realizado no hospital,que pode durar em media de 3 a 6 meses.Nesse período, a família(em geral pai,mãe e a criança) “moram” em um dos 30 chalés disponíveis.Segundo Regina Barsotti,coordenadora do Instituto, o “objetivo é fazer com que a criança se sinta em casa,aumentando as chances de cura durante o tratamento”.Ainda segundo ela, o instituto é o único no mundo a abrigar a família do paciente,já que em outras instituições só é permitido um acompanhante.

As famílias abrigadas pelo instituto são selecionadas pela Assistência Social do Boldrini. São famílias que vêm do Brasil inteiro e não têm condições de se manterem na cidade durante o tratamento.No instituto,por sua vez,elas encontram moradia, alimentação, transporte, apoio e sobretudo muito carinho.Segundo Regina,o instituto já recebeu famílias de Roraima, Bahia e até de uma comunidade indígena do norte do país.

Alem das crianças em tratamento, o instituto recebe também famílias de pacientes terminais, devido à proximidade do instituto ao Boldrini. De acordo com Regina, estes pacientes precisam ficar próximos ao hospital para o caso de alguma urgência.Ela cita o exemplo de um rapaz do bairro São Domingos,em Campinas, que várias vezes necessitou de atendimentos de emergência.Regina completa:”até para morrer a pessoa precisa de dignidade”.

Para se manter, o instituto não recebe nenhuma ajuda do governo, contando apenas com doações de pessoas físicas e jurídicas. Atualmente,30 pessoas ajudam a manter as famílias atendidas,bancando cada uma os gastos de um chalé,que corresponde a uma família;gastos que giram em torno de R$1300 mensais.Além destas,há empresas que doam alimentos,como carne, leite,entre outros. Para garantir os serviços oferecidos, o instituto conta com dois funcionários contratados, três terceirizados, alem da presidência. Para complementar, há os voluntários, que hoje são cerca de dez.

Por Ana Paula Fontana
Imagem: retirada do site http://www.ingohoffmann.org.br

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Considerações a respeito do Jornalismo Moderno


A profissão de jornalista é uma das mais lindas do mundo...Tudo bem, sei que sou suspeita de falar isso, afinal , eu amo tal profissão.Mas é a verdade! É uma profissão que passa a imagem de status, glamour,liberdade.Os jornalistas são vistos como pessoas que nunca caem na rotina, que trabalham incessantemente atrás de informações, fatos, personagens, casos.São grandes contadores de histórias do mundo real.Parecem ter um poder enorme nas mãos, ao ter acesso a informações que a maioria das pessoas não têm.
Tudo isso justifica porque tantos jovens ingressam todos os anos nas universidades em cursos de comunicação.O que a maioria destes jovens talvez não percebem é que existem muito mais "focas” (recém-formados) do que vagas no mercado.Nesse assunto não tenho muita autoridade, afinal, sou apenas uma aluna do 4º ano de jornalismo que nem estágio ainda conseguiu fazer.Minha intenção é apenas dizer que existem muito mais jornalistas do que vagas para jornalistas.Mas, além disso, dizer que existe a necessidade destes alunos se tornarem jornalistas críticos, aprenderem ainda na faculdade a enxergar a realidade desta profissão tão linda. Como falei, não tenho muita autoridade para falar sobre jornalismo, pois ainda não sou formada.Mas já percebi o quanto nossa profissão mudou ao longo dos tempos. Os primeiros "jornalistas" não o eram por formação.Eram advogados, políticos, escritores, pessoas de uma cultura elevada, que tinham por objetivo mostrar o que muitos poderosos queriam esconder.Os primeiros jornais tinham por missão denunciar abusos de poder, ideologias, corrupção,entre outros assuntos.Daí se formou a imagem de que todos jornalistas são cultos, pessoas respeitadas e admiradas pela sua inteligência e cultura apuradas.Acredito que pelo trabalho dessas pessoas nasceram as duas principais características do jornalismo:objetividade e imparcialidade.Objetividade em transmitir uma informação sem "rodeios", sem embolação.Imparcialidade em escrever sem impor opiniões, informando de forma que cada pessoa, com criticidade, tire suas próprias conclusões a despeito da informação. Infelizmente, a realidade que vejo hoje é bem diferente.Todo e qualquer veículo de comunicação, que deveria ser imparcial, acaba defendendo, em suas matérias, seus interessem e ideologias, em maior ou menor grau, perceptível ou não, ao seu público.Mesmo os chamados de "mídia alternativa", estão inclusos nisso.Assim sendo, os jornalistas são obrigados a se adequar a linha-editorial de cada veículo,mesmo que isso seja contra seus próprios princípios.Isso se agrava se pensarmos no que disse anteriormente, que existem muito mais jornalistas do que vagas.Para garantir um lugar no mercado, é aceitar o que aparece, mesmo que não seja exatamente o que se quer. Mas o pior não é isso...Vejo que o jornalismo da atualidade (com raras exceções) reflete a sociedade maluca em que vivemos.As pessoas perderam a noção de princípios, como respeito, responsabilidade, humildade,solidariedade,entre outros.O que se vê são casos de violência, preconceito, escândalos políticos.E a mídia reproduz e difunde isso como se fosse algo natural, normal para nossos dias.Isso quando não transforma um fato em show, como no caso Isabella ou Eloá. O que muitos não percebem, é que este foi apenas mais um (infelizmente!) entre tantos que ocorrem no país.E porque só este teve tanta notoriedade?Porque aconteceu no mundo dos ricos.No mundo dos pobres, isso acontece sempre, mas como disse um dia num espaço ínfimo no jornal Correio Popular o colunista Moacyr Castro, "pobre não tem vez nem na hora de virar notícia". Quanto mais eu estudo jornalismo, mais me decepciono com a mídia atual.Ela é a primeira a propagar o preconceito, a discriminação, a tentar impor opiniões e ideologias.É ela quem ajuda a formar pessoas alienadas, que acreditam estar bem-informadas, mas que sabem apenas o que convém aos meios de comunicação e seus aliados,quando deveria ser um meio de formar pessoas críticas e capazes de tomar decisões para melhoria desta mesma sociedade maluca e perdida em que vivemos...
(Texto baseado no anterior com alteraçõs)

Jornalismo não é só paixão...


Com 15 anos de idade, descobri o que eu queria pra mim:ser jornalista.Mais do que uma paixão, tornou-se um ideal de vida.Por falta de condições financeiras ( a vida nem sempre é como queremos),só consegui ingressar na faculdade com 22 anos(idade com a qual estaria me formando!).O tempo passa rápido demais e já estou no 4º ano, 7º semestre.A faculdade é bem diferente do que eu imaginava.Como diz meu querido professor Jeversom, quem faz o profissional é o aluno e não a faculdade.O ensino é bem mais fraco do que eu esperava.Falta muita qualidade, sobra muita pressão e estresse.Nem sempre o fato de uma universidade ter um nome forte significa que ela forme profissionais qualificados.O nome serve para conseguir um bom estágio ou bom emprego, mas nem sempre uma boa experiência acadêmica.Na real, a estrutura da faculdade não é das melhores.Mas quando digo isso não me refiro à Unip Campinas e muito menos aos professores. Refiro-me ao sistema de ensino que deixa a desejar. São regras e normas que vêm de cima e acabam por desanimar os alunos ao longo do tempo.

Apesar disso, não me arrependo deste curso e se preciso fosse, faria tudo de novo.Minha vontade de ser uma grande jornalista supera todos os problemas. E para me ajudar , conto com um time de "primeira linha" de professores. Mais do que isso.Posso dizer que são mestres, dedicados e dispostos a dividir conosco, seus alunos, toda experiência acumulada no mercado de trabalho. Alguns, mais do que professores, tornam-se amigos.Mais do que amigos, referências que vou levar para a vida, sempre com muita admiração e carinho. Com eles aprendi que Jornalismo não é só paixão.Não é só levar notícias ao público, contar como aconteceu um determinado fato.Deveria ser( infelizmente não o é nos dias atuais) um modo de informar e formar cidadãos críticos,pessoas capazes de analisar os acontecimentos e tomar decisões que melhorassem o mundo em que vivemos.Infelizmente, esta profissão tão linda tomou rumos totalmente diferentes....

Não vou citar os nomes dos meus professores, mas aproveito para citar o quanto seus ensinamentos foram e são importantes para mim, não apenas na formação profissional, mas também como pessoa. Não falo isso como "puxa-saco" como muitos falariam, mas sim consciente da importância deles na minha formação. Ideal seria se todos os alunos soubessem também valorizar aquela pessoa que fica na frente da sala tentando nos passar conhecimento. Mas, infelizmente, além de não entederem, ainda desrespeitam e atrapalham o trabalho de nossos mestres.

Agora me pego a pensar que este é meu último de faculdade. Ao escrever este texto, penso em tudo o que aconteceu nestes semestres e, apesar de todas as dificuldades, vou sentir falta da Unip. Não da faculdade em si, mas do aprendizado, das aulas, das lições dentro e fora da sala, e, acima de tudo, dos amigos que ganhei, sejam eles alunos ou professores.
(Texto baseado no original com alterações).

Para comçar bem este novo trabalho...



Uma das minhas frases favoritas, pronunciada por um grande homem de coragem e determinação. Um exemplo de persistência e força.

"É melhor tentar e falhar, Que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar ainda em vão, Que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, Que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, Que em conformidade, viver."
(Martin Luther King)




Ano novo, Blog Novo...






Havia muito tempo que eu queria criar meu próprio blog. No ano de 2008, consegui meu objetivo. Criei o Blog Aninha Comunicação em Foco. Mas, mesmo tendo postado várias de minhas matérias, não estava muito feliz com ele. Fiquei bastante tempo sem atualizá-lo e agora que minha disponibilidade para isso voltou, resolvi começar da estaca zero. Resolvi criar um blog novo, com endereço novo e visual mais clean. Aquele antigo ainda continua na rede (pelo menos até eu descobrir como cancelá-lo), as primeiras matérias deste são as mesmas (sim, fui mesma que escrevi todas que estão nos dois blogs, por isso, não pensem que é plágio!), mas o conteúdo, desta vez, será diferente.Tentarei ao máximo atualiza-lo tanto quanto possível.


Assim, aos que gostam de acompanhar meus textos, peço que desconsiderem meu antigo endereço e passem a acessar este. Aquele é passado e o presente começa agora.


Façam bom proveito e não deixem de escrever suas críticas e sugestões.